A presidente brasileira e o opositor social-democrata Aecio Neves desvalorizaram os resultados da última sondagem das presidenciais de 5 de outubro, que apontam a ecologista Marina Silva como favorita numa segunda volta.

«Não vejo as sondagens como analíticas. Creio que são relativas e garanti sempre que não comento sondagens. Creio, sim, que o debate vai ajudar», assinalou Dilma Rousseff ao chegar aos estúdios da TV Bandeirantes, que acolheu o primeiro debate entre os candidatos presidenciais.

Para Dilma, o resultado da sondagem é «bom para o início da campanha», embora veja possibilidades de alterações de vontade de voto nos próximos dias. «Do meu ponto de vista, é fundamental mostrar quem vai continuar a fazer coisas pelo Brasil», disse.

Marina Silva, convertida candidata presidencial depois da morte do socialista Eduardo Campos num acidente aéreo, venceria as presidenciais com 45% dos votos numa segunda volta contra a atual chefe de Estado.

A sondagem do Instituto Ibope para o canal Globo e diário «O Estado de São Paulo» refere que Dilma Rousseff será a mais votada a 5 de outubro, com 34% dos votos, seguida por Marina Silva com 29% e por Aecio Neves com 19%.

Com estes resultados, seria necessária uma segunda volta, a 26 de outubro, na qual Marina Silva conquistaria a presidência com 45% dos votos, face a apenas 36% de Dilma Rousseff.

Aos jornalistas, Marina Silva disse apenas que a sondagem reflete apenas a opinião do momento e que há ainda um longo caminho a percorrer.

As manifestações de junho de 2013, o baixo crescimento económico do Brasil e a posição do país na América Latina e no mundo entraram em agenda no primeiro debate.

Ao todo, sete candidatos que pontuam nas sondagens de intenção de voto participaram do programa (11 pessoas concorrem à presidência brasileira).

Rousseff defendeu que o Brasil é a «maior potência regional» da América Latina e que tem condições de ampliar a sua influência por meio de relações no continente americano, na África e, principalmente, com o grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), após ser questionada sobre investimentos do governo em Cuba.

Marina Silva abordou o tema das manifestações de junho de 2013, época em que teve a candidatura defendida por participantes dos protestos, e criticou as medidas apresentadas como resposta pelo governo atual nas áreas de educação, mobilidade e controlo da inflação, afirmando que «nada funcionou».

Dilma discordou e acrescentou que a reforma política é um tema central que depende desse envolvimento da população.

Já o tema económico foi motivo de embate entre Neves e Rousseff. O social-democrata criticou o baixo crescimento económico do país, a inflação e a diminuição no ritmo de criação de empregos, enquanto a presidente disse que as dificuldades são provenientes da crise internacional e defendeu a política atual.

Durante o debate, o candidato social-democrata acusou Marina Silva de ser incoerente, por elogiar tanto políticos alinhados ao atual governo como à oposição, enquanto a ecologista tentou firmar-se como «terceira via» e opção às duas maiores forças políticas brasileiras (PT, de Rousseff e PSDB, de Neves).

Os outros participantes do debate foram Pastor Everaldo (Partido Social Cristão), Luciana Genro (Partido Socialismo e Liberdade), Eduardo Jorge (Partido Verde) e Levy Fidelix (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro).