As comemorações do dia da independência do Brasil foram marcadas no sábado por protestos em pelo menos 24 dos 26 Estados do país, que terminaram com mais de 300 pessoas detidas, segundo a imprensa local.

O feriado é tradicionalmente um dia de manifestações nas principais cidades do Brasil, organizadas por grupos e sindicatos que pedem melhores condições para as minorias e o fim da corrupção.

Este ano, a onda de protestos vivida no país em junho motivou o agendamento de manifestações pela rede social Facebook em mais de 140 municípios por membros e simpatizantes do grupo Anonymous e por diferentes movimentos sociais.

As manifestações não contaram com a adesão confirmada pela internet, pois, segundo o portal de notícias G1, 17 mil pessoas saíram às ruas no sábado perante os cerca de um milhão em 20 de junho.

Manifestantes e polícias envolveram-se em confrontos em, pelo menos, 11 capitais de Estados. No Rio de Janeiro, um grupo invadiu o desfile militar pela manhã e foi dispersado por agentes com bombas de gás e spray pimenta. Ao todo, 13 pessoas ficaram feridas.

O município registou novos conflitos à noite, quando participantes no protesto, entre eles os «black blocs», dirigiram-se à sede do governo. Mais de 70 pessoas foram detidas, segundo a polícia.

Em São Paulo, a polícia também lançou bombas de gás lacrimogéneo e spray de pimenta, enquanto manifestantes responderam com petardos e atiraram pedras contra a o órgão legislativo municipal (Câmara dos Vereadores), além de depredarem um carro da polícia e quebrarem vidros de agências bancárias.

Um veículo atropelou três pessoas durante o protesto de São Paulo e a imprensa local denunciou casos de violência policial. Pelo menos 39 pessoas acabaram detidas na cidade. Um disparo de arma de fogo feito por um agente para o chão ricocheteou e acertou um fotógrafo de raspão, no rosto.

Em Brasília, houve tumultos no centro da cidade, quando manifestantes se aproximaram do Congresso Nacional e tentaram depredar um edifício da TV Globo, e nos arredores do estádio Mané Garrincha, onde a seleção brasileira de futebol jogou um particular contra a Austrália. A polícia uso bombas de gás, spray de pimenta e canhões de água para dispersar os protestos.

Também houve confrontos com a polícia e depredações em Porto Alegre e Curitiba, no sul do país, Recife, Maceió, Fortaleza, Natal e Salvador, no nordeste, e Belo Horizonte e Vitória, no sudeste.

Entre as principais reivindicações dos manifestantes estavam a prisão dos condenados pelo processo de corrupção conhecido como mensalão, a redução do número de deputados, a reforma tributária e o fim do voto obrigatório, além da paz e respeito aos direitos humanos.