O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, anunciou que vai apresentar nas próximas horas uma denuncia ao Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas, na sequência do impedimento de passagem do avião do presidente Evo Morales, que viajava desde Moscovo.

«Como Governo estamos a encetar todas as denúncias possíveis a nível internacional. Iniciaremos um processo contra os responsáveis por esta violação do direito internacional e que puseram em risco a vida do presidente Morales», disse.

O político assegura que esta acção por parte de França, Itália, Espanha e Portugal foi ordenado pelos Estados Unidos: «O Presidente Evo foi sequestrado ontem por uma decisão imperial, abusiva, prepotente, injustificada. Foi o imperialismo que definiu o sequestro do Presidente na Europa e alguns países europeus, colónias dos Estados Unidos, converteram-se nos veículos dessa decisão».

Os embaixadores da França, Itália e Espanha, assim como o cônsul de Portugal, foram chamados pelo Governo a dar explicações do sucedido.

Esta situação está a gerar um conflito diplomático que envolve outros países da América do Sul. Aliás, a Unasur (União das Nações Sul-Americanas) convocou uma reunião urgente para «discutir a inexplicável proibição do avião». Em comunicado, a organização criticou a «perigosa atitude» assumida por França e Portugal «ao cancelar intempestivamente a autorização de sobrevoo» do avião.