O Ministério Público alemão decidiu arquivar o processo contra o bispo católico da diocese de Limburg em troca do pagamento de uma caução de 20 mil euros. O bispo Franz-Peter Tebartz-van Elst estava acusado de mentir sob juramento num processo que instaurou contra a revista «Der Spiegel», que o acusou de viajar de avião em primeira classe para ir visitar bairros da lata na Índia.

De acordo com a BBC, o escândalo rebentou em outubro, quando a imprensa alemã revelou que o Vaticano tinha iniciado uma investigação contra Franz-Peter Tebartz-van Elst, de 53 anos, alvo de críticas pelos gostos caros e cuja renúncia é exigida por muitos alemães.

Logo foi revelado que a obra da residência episcopal, inicialmente orçamentada em 5,5 milhões de euros, acabou por custar mais de 31 milhões de euros, e incluía um museu, uma sala de conferências, uma capela e apartamentos privados.

Fontes da área de construção consultadas pela «Der Spiegel» revelaram que pedidos especiais do bispo, como uma banheira de 15 mil euros, contribuíram de forma significativa para o aumento dos custos.

O escândalo que envolve o «bispo esbanjador» ou o «servo mais caro de Deus», como também é conhecido, teve ainda mais repercussão porque o orçamento das confissões religiosas na Alemanha depende em grande parte do dízimo que é recolhido diretamente de um imposto religioso.

Entre 8 a 9% do valor total de impostos pagos por cada contribuinte alemão destina-se às várias Igrejas. É possível não pagar, mas para isso os contribuintes têm de se declarar não religiosos e perdem os diretos dos serviços da igreja, como casamento ou batizado.

Essa forma de cobrança foi instituída no século XIX, como meio de compensar as Igrejas Protestante e Católica por uma série de confiscos de propriedades. Só em 2012, esse imposto rendeu mais de 5 mil milhões de euros para a Igreja Católica alemã e 4,6 mil milhões para os protestantes.