Lençóis de seda, cozinheiro a bordo e duche. É outro, o mundo, para quem voa em primeira classe. O preço do bilhete é 10 vezes superior ao de turística, mas as regalias fazem sensação. De um lado da cortina, está o «paraíso». Do outro lado, o lado onde viajam os «comuns mortais», estão assentos reduzidos, menus insípidos servidos numa bandeja e ecrãs minúsculos. Do lado de lá, há camas com lençóis de seda, televisores plasma e pratos «à la carte» preparados na hora por um chef de cozinha.

De acordo com o jornal espanhol «El País», o luxo máximo a 10 mil metros de altura são as «suites», cabines com portas para não ter que ver ou ouvir ninguém que não seja a simpática anfitriã. A primeira classe está cada vez mais distante da turística. Sobretudo em termos de preços. Mil e tantos euros em poucas horas. Assim voam alguns afortunados que se podem dar ao luxo de pagar.

A Singapura Airlines, a chilena LAN, Cathay Pacific de Hong Kong, Ethiad com sede em Abu Dhabi, a alemã Lufthansa e a saudita Emirates são exemplos de companhias aéreas que não olham a meios para proporcionar grande conforto e privacidade aos passageiros que voam em primeira classe.

Para a jornalista do «El País», a Singapura Airlines está no topo da lista. Para não perder o lugar, a companhia aérea renovou em 2013 os camarotes de luxo. As «suites» apenas estão disponíveis a bordo do A380 e a ideia é que recordem compartimentos como os do comboio Expresso do Oriente: privacidade e qualidade de primeira. «Os assentos são costurados à mão por artesãos italianos», refere a companhia no site oficial. Um bilhete num voo Londres-Hong Kong, em março, pode custar desde 830 euros. A viagem no camarote custa 9.810 euros.

A companhia aérea chilena LAN acaba de ganhar o título de «Melhor Classe Executiva da América Latina» atribuído pela revista «Business Traveller». As razões? Assentos «full flat 100% horizontal» com um sistema de memória que grava a posição que o utilizador tenha escolhido e as opções de massagem lombar. Há ainda menus elaborados por «chefs» de pretígio, seleção de vinhos e a oferta de um «nécessaire» com produtos Ferragamo. No mesmo voo de Madrid a Santiago do Chile, de 4 a 9 de março, os passageiros da classe turística pagam 674 euros, os de «Premium business» 6.161 euros.

A crise não afeta os ricos. Em novembro de 2013, a companhia aérea alemã explicou à Bloomberg que as vendas de bilhetes de primeira classe tinham aumentado 10%, depois de os camarotes de luxo terem sido remodelados. O motivo? É a única companhia aérea a oferecer um «dois em um». Os assentos não se convertem em camas, mas um bilhete de primeira classe dá direito a uma cama e a um assento. Um luxo acessível a muito poucos. Dos 200 mil passageiros que a Lufthansa transporta por dia no mundo, apenas 700 vão em primeira classe.

Duche e bar, quem dá mais? Aqui quem marca pontos é a companhia aérea Emirates. Nem o menu, digno de uma boda, que inclui caviar e degustação de todo o tipo de iguarias, e nem mesmo o bar, com aérea «loundge», superam aquele que é considerado o ás da companhia: o Shower Spa. Um duche com pia de mármore e toalhas verdadeiras. Cada passageiro tem direito a cinco minutos para que haja água quente para todos. O chuveiro tem uma espécie de semáforo que avisa quando o tempo está a acabar. Para fornecer este serviço os A280 têm que carregar um extra de 500 quilos de peso (25% a mais do que antes dos chuveiros). E isso, obviamente, não é de graça: os passageiros com direito a tomar banho pagam oito vezes mais do que os da classe turística.