Patrick Rock, assessor do primeiro-ministro britânico, David Cameron, demitiu-se no passado mês de Fevereiro do cargo que ocupava em Downing Street apenas um dia antes de ter sido detido por alegada posse de imagens de abuso sexual de menores.

Patrick Rock, conservador de 62 anos, que esteve envolvido na elaboração da política do Governo de Londres para a aplicação de filtros para os «sites» de pornografia, demitiu-se antes de Downing Street ter dado o alerta sobre o possível crime em que o assessor estaria envolvido, noticia o diário britânico «The Guardian».

O assessor de Cameron acabou por ser detido na manhã do dia 13 de Fevereiro no seu apartamento em Londres. As autoridades criminais, segundo informa o jornal «Daily Mail», fizeram buscas posteriormente no gabinete de Rock no N.º 10 de Downing Street, onde examinaram computadores.

Na noite desta segunda-feira, um porta-voz do Governo londrino, não identificado pelo «The Guardian», confirmou a detenção daquele assessor: «Na noite de 12 de Fevereiro, Downing Street deu conta de um possível crime relacionado com imagens de abuso de menores. Essa informação foi imediatamente transmitida à Agência Nacional de Crime.»

Rude golpe para conservadores

«O primeiro-ministro foi imediatamente informado e manteve-se a par das novidades. Patrick Rock foi detido na sua casa às primeiras horas do dia 13 de Fevereiro, algumas horas depois de Downing Street relatar o caso. Posteriormente, as autoridades tiveram acesso ao N.º 10 e a todos os sistemas de informação e gabinetes que consideraram relevantes», disse também aquela fonte.

«A investigação está a decorrer e, por isso, não é adequado fazer mais comentários, mas o primeiro-ministro considera as imagens de abuso de menores repugnantes e que qualquer pessoa envolvida nestes casos deve ser julgada de acordo com a lei», afirma ainda a fonte de Downing Street.

A detenção de Rock é vista pela imprensa britânica como um rude golpe para o primeiro-ministro e para o Partido Conservador. Cameron e Rock trabalharam juntos como assessores de Michael Howard, quando este era secretário de Estado, nos anos 1990. Rock trabalhou mais tarde, entre outros, com Chris Patten, na Comissão Europeia, em Bruxelas.