É descrita como a maior democracia do mundo. A Índia começou hoje a votar para eleger o próximo primeiro-ministro do país. Mais de 800 milhões de eleitores, vão ser chamados às urnas durante mais de cinco semanas. Há 543 cadeiras no Parlamento para preencher. As eleições terminam a 12 de maio e os resultados oficiais são proclamados quatro dias depois do encerramento das urnas.

As primeiras assembleias de voto abriram em dois estados do nordeste e A votação arrancou em seis circunscrições, cinco no estado de Assam e uma no de Tripura.

A Índia, oficialmente denominada por República da Índia, é uma das maiores economias mundiais e uma potência nuclear, mas nos últimos anos o país parece ter perdido o fulgor que o povo desejava. Composta por 28 estados e sete territórios, tem uma democracia parlamentar.

Os nomes mais bem posicionados na corrida ao lugar de primeiro-ministro são Narenda Modi, do partido nacionalista Bharatiya Janata (BJP), e Rahul Gandhi, do Partido do Congresso, mais à esquerda, ligado à dinastia herdada pelo nome de família e, atualmente, no poder. Nos últimos anos, aumentou o desemprego, a economia desacelerou e vários escândalos de corrupção abalaram o poder político no país.

E é pelo pouco sucesso da família Gandhi, que ocupou os cargos mais altos da nação nos últimos dez anos que, de acordo com as sondagens, Narenda Modi lidera a corrida, com um forte discurso económico. No entanto, não é bem visto pelos muçulmanos, porque o seu nome surgiu ligado a um massacre, ocorrido em 2002, no estado de Gurajat. Mais de mil muçulmanos terão sido mortos por radicais hindus no estado que Modi dirigia e, apesar de ter sido ilibado pelas investigações, a suspeita de que «aceitou» a matança, permanece.

Além disso, Rahul Gandhi, não parece ter o carisma do seu bisavô, avô e pai. O carisma necessário para convencer os eleitores que pode comandar o leme do país. Com 43 anos de idade, parece inexperiente e é confuso na mensagem que transmite.

Segundo o jornal britânico «The Guardian», que cita um relatório revelado a semana passada pela imprensa indiana, um quinto dos candidatos às eleições está acusado de algum tipo de crime. Entre eles há crimes como «corrupção, extorsão, violação ou até homicídio».

O atual primeiro-ministro do país é Manmohan Singh. Ligado ao Partido do Congresso, chegou o poder em 2004. É de religião Sikh e foi o primeiro não-hindu a chefiar o Governo indiano. Próximo dos Estados Unidos, fez tudo o que conseguiu para melhorar e ampliar as relações entre ambos.

Talvez por ser o segundo país mais populoso do mundo e o sétimo maior em área geográfica, o processo eleitoral seja tão lento. Os indianos poderão votar em 930 mil locais pré-definidos e vão ser usadas 1,4 milhões de urnas eletrónicas. As máquinas são levadas por mar, ar e terra. Para as regiões mais remotas, as urnas vão ser transportadas por burros e, até, elefantes. Há 11 milhões de pessoas envolvidas neste processo eleitoral.