As autoridades angolanas intensificaram as medidas de restrição à liberdade de expressão, associação e reunião em 2013, levaram à justiça jornalistas e ativistas e realizaram prisões arbitrárias de manifestantes, denunciou a Human Rights Watch (HRW), nesta terça-feira.

Segundo a HRW, o Governo tem recorrido a numerosos processos criminais de difamação contra jornalistas e ativistas, enquanto continuam os abusos da polícia, prisões arbitrárias e intimidação para impedir protestos pacíficos contra o Governo, greves e outras manifestações, segundo o relatório anual da organização dos direitos humanos - «World Report 2014», divulgado nesta terça-feira.

No relatório existem também críticas à forma como o Governo realizou despejos forçados em 2013 e lançou uma nova iniciativa para remover os comerciantes de rua na capital, Luanda. As duas medidas afetam as comunidades mais pobres e têm sido realizadas com brutalidade.

Violências homofóbicas na Rússia

Na Rússia, de acordo com a ONG, a situação dos direitos humanos continua a ser «muito problemática» na véspera dos Jogos Olímpicos de inverno, que começam em fevereiro, em Sotchi.

A organização de defesa dos direitos humanos, com sede em Washington, denunciou «as violências homofóbicas».

«Os casos Khodorkovski e Pussy Riot já não assombram os Jogos Olímpicos de Sotchi, mas a situação em matéria de direitos humanos continua a ser muito problemática», sublinhou Tatiana Lokchina da antena moscovita da HRW.

As censuras na China

Quanto à China, que justifica os abusos de direitos humanos como «necessários para preservar a estabilidade social», a pressão dos ativistas e das até 500 manifestações por dia, está a desafiar as autoridades.

«O Governo censura a imprensa, a internet, as publicações impressas, a pesquisa académica, e justifica os abusos de direitos humanos como necessários para preservar a estabilidade social», escreve a HRW.

O «forte controlo» imposto pelas autoridades chinesas às liberdades individuais tem vindo, no entanto, a ser mitigado pelas rápidas mudanças socioeconómicas, escrevem os analistas da HRW, salientando que, «de acordo com estatísticas oficiais e académicas, baseadas nos relatórios das forças de segurança, haverá cerca de 300 a 500 protestos por dia, que juntam dezenas de milhares de participantes».

Há tortura e sobrelotação nas cadeias brasileiras

O sistema prisional brasileiro tem mais de 500 mil detidos, população 43 por cento acima da capacidade das cadeias, que enfrentam um problema «crónico» com frequentes relatos de tortura.