Cerca de 100 rapazes de um liceu de Nantes, no oeste de França, foram para a escola vestidos de saia. A iniciativa, que teve lugar no dia 16 de maio e teve como objetivo protestar contra o sexismo, foi autorizada pelas direções escolares, mas causou polémica.

Algumas dezenas de membros de organizações que se opõem ao casamento homossexual, legalizado em França desde maio de 2013, manifestaram-se contra a iniciativa em frente do liceu Clémenceau e envolveram-se em confrontos com os estudantes. A polícia teve que intervir para separar os dois grupos.



No total, duas centenas de rapazes e raparigas, todos de saia, participaram na iniciativa, intitulada «O que a saia levanta», lançada por representantes dos alunos e autorizada pelas direções escolares.

«Pedi emprestada à minha irmã» ou «a minha mãe emprestou-ma», explicaram alguns alunos à Agência France Presse (AFP), mostrando saias azuis, roxas, pretas ou às flores, justas, com folhos ou pregas.

A iniciativa recebeu muitas críticas, principalmente nas redes sociais, de políticos de direita, de organizações que se opõem ao casamento homossexual e daqueles que consideram que a diferença entre sexos é uma questão biológica, e não uma construção social.





Além do convite aos alunos e alunas para usarem saia ou um crachá, a iniciativa previa debates sobre o sexismo nos liceus.

«Isto não tem nada a ver com o casamento homossexual. Para mim, é muito importante que as mulheres possam ter os mesmos direitos que os homens», disse um aluno, Pierre, à AFP.

«A minha mãe estava super contente por lutarmos desta maneira, o meu pai achou um pouco estranho, mas não é contra», explicou Barthélémy.





Sarah, Ileana, Lea e Anne, todas de saia, explicaram que não usam normalmente saia na escola por causa «dos olhares» e «dos comentários pelas costas». «Agrada-nos [ver os rapazes de saia], porque francamente foram corajosos, não tiveram medo do ridículo, admiramo-los», acrescentaram.