Hillary Clinton está em «campanha» para promover o seu livro «Hard Choices», mas todas as suas declarações são escrutinadas ao pormenor à medida que se acentuam os rumores de uma eventual candidatura à presidência dos Estados Unidos em 2016.

O problema é que a ex-secretária de Estado norte-americana não está com a pontaria afinada. Esta sexta-feira, em entrevista à BBC, durante uma visita de dois dias a Londres, foi questionada sobre a «relação especial» entre os EUA e o Reino Unido e a resposta foi dúbia.

«Não é só uma questão de língua comum, mas de valores comuns. Não interessa, no nosso país, se é um republicano ou um democrata ou, no vosso, se é um conservador ou um tory. Há um nível de confiança e entendimento. O que não significa que estejamos sempre de acordo, porque, obviamente, não estamos», disse.

Hillary pareceu querer referir-se aos dois partidos políticos mais votados no Reino Unido, mas esqueceu-se do Partido Trabalhista, de Ed Miliband. «Tory» é apenas outro nome que se dá ao Partido Conservador britânico, liderado pelo primeiro-ministro, David Cameron. Outra leitura possível é que a política norte-americana referia-se mesmo à distinção entre os dois, devido às várias influências dentro dos conservadores britânicos.

Já no mês passado, em entrevista à ABC, a ex-secretária de Estado disse que a sua família saiu da Casa Branca «falida», o que naturalmente causou polémica, uma vez que a fortuna dos Clinton é numerosa.

Uns dias depois, já numa entrevista ao «The Guardian», Hillary foi questionada sobre se os eleitores não podiam reagir mal à sua riqueza: «Eles não me veem como parte do problema. Nós pagamos impostos normalmente, ao contrário de muita gente que está bem na vida, para não dizer nomes». Uma afirmação que também não caiu bem e afetou a sua popularidade.

Nesta visita a Londres, Hillary Clinton foi questionada sobre se vai candidatar-se à Casa Branca em 2016. «Estou obviamente a ponderar as alternativas para o meu regresso à vida pública. É uma decisão profundamente importante para mim e para o país», respondeu.

A democrata pode entrar para a história como a primeira mulher presidente dos Estados Unidos: «Sou, provavelmente, a mais conhecida porque já estive lá [na Casa Branca] antes. 49 países, incluindo o Reino Unido, já tiveram uma mulher na posição de governo mais alta, portanto, quanto mais cedo melhor.»