Cerca de 6,6 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram em 2012, a maioria de causas evitáveis, revelou a UNICEF, no seu relatório anual sobre «A Situação Mundial da Infância em Números 2014».

Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), estas mortes constituem uma «violação do direito fundamental das crianças à sobrevivência e ao desenvolvimento».

O relatório sobre a situação das crianças em 2012, divulgado hoje, revela que 15 por cento das crianças do mundo são colocadas a fazer trabalho que «compromete o seu direito à proteção contra a exploração económica e infringe o direito de aprender e de brincar que lhes assiste».

A UNICEF aponta outro exemplo de violação dos direitos das crianças, caso das 11 por cento de raparigas que casam antes dos 15 anos, ameaçando o seu acesso à saúde, educação e proteção.

Por outro lado, o documento refere «progressos notáveis», em particular após a assinatura da Convenção sobre os Direitos da Criança em 1989 e a definição dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, em 2015.

«Cerca de 90 milhões de crianças, que teriam morrido antes dos cinco anos se as taxas de mortalidade infantil se tivessem mantido nos níveis de 1990, sobreviveram. Em larga medida, graças aos progressos na prestação de serviços de imunização, saúde, e água e saneamento», refere a UNICEF.

A organização diz ainda que as melhorias na nutrição permitiram diminuir em 37 por cento os atrasos de crescimento, desde o início da década de 1990, e a frequência no ensino primário aumentou, incluindo nos países menos desenvolvidos.

«Em 1990, apenas 53 por cento das crianças eram admitidas na escola (nesses países), em 2011, a percentagem aumentou para 81 por cento», indica a UNICEF.

Os dados da UNICEF revelam também «lacunas e desigualdades, mostrando que os ganhos de desenvolvimento estão distribuídos de forma desigual».

«As crianças mais pobres do mundo têm perto de três vezes menos (2.7) probabilidades do que as mais ricas de ter uma pessoa qualificada a assistir ao seu nascimento, o que aumenta o risco de complicações relacionadas com o parto tanto para elas próprias como para as mães», segundo o relatório.

A UNICEF apelou a um maior investimento em inovações que permitam colmatar situações de exclusão e identificar as dificuldades que afetam 2,2 mil milhões de crianças mais desfavorecidas no mundo.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) sublinha «a importância dos dados para a concretização de progressos para as crianças e para evidenciar a desigualdade de acesso a serviços e proteção que prejudica seriamente a vida de tantas crianças».

«O combate à exclusão começa com dados inclusivos. Para melhorar o alcance, a disponibilidade e a fiabilidade dos dados sobre as privações com as quais as crianças e as suas famílias se debatem, os instrumentos de recolha e análise estão a ser constantemente melhorados, enquanto outros estão a ser desenvolvidos. Para tal, é necessário compromisso e investimento sustentados», refere o relatório, onde se declara: «Todas as crianças contam».

«Os dados têm tornado possível salvar e melhorar a vida de milhões de crianças, especialmente das mais carenciadas do mundo», afirma Tessa Wardlaw, chefe da secção de Dados e Analítica da UNICEF.

A responsável declara que «só é possível fazer mais progressos se soubermos quais as crianças que são mais negligenciadas, onde há raparigas e rapazes fora da escola, em que locais as doenças estão a aumentar e onde falta saneamento básico».