A procuradoria da região espanhola de Castellón está a investigar os mais de 400 sismos que no último mês se sentiram junto a um polémico armazém subterrâneo de gás natural instalado nas costas de Vinarós (Castellón, Espanha).

Os sismos continuam a repetir-se diariamente, provocado cada vez mais preocupação entre os habitantes da região, apesar da injeção de gás no armazém estar suspensa desde o dia 16 de setembro.

Entre as várias dezenas de sismos das últimas 24 horas registou-se hoje um de 3,7 graus na escala de Richter, tendo esta semana havido abalos de 4,2 e de 4,1 graus, aumentando a polémica em torno de um projeto avaliado em mais de 1.200 milhões de euros, mas cujos pormenores só agora começam a ser conhecidos.

A decisão da procuradoria em Castellon de iniciar uma investigação coincide com crescentes mobilizações e protestos dos residentes das zonas afetadas, sendo crescente o número dos que defendem o fecho da unidade.

Habitantes de várias localidades, incluindo Vinarós, Benicarlo e Peñíscola de Alcanar (Tarragona) manifestaram-se na noite de quinta-feira para expressar a sua preocupação pelo aumento da atividade sísmica.

Em Benicarló foi mesmo iniciada uma petição, já com mais de 3.500 assinaturas, a defender o fecho da unidade.

Hoje registaram-se até às 17.00 mais de 20 abalos, a maior parte durante a tarde - antes ocorriam maioritariamente de madrugada - e oito com magnitudes entre 1,7 e 3,7 graus.

Em declarações aos jornalistas depois da reunião do Conselho de Ministros de hoje, o ministro da Indústria, Energia e Turismo, José Manuel Soria, afirmou que os especialistas consultados pelo Governo concluíram, de forma preliminar, que «há uma probabilidade alta de que haja uma relação direta entre as injeções de gás e os movimentos sísmicos da zona».

Soria disse que os especialistas consideram, por agora, que não é provável que se produzam movimentos sísmicos «relevantes», ainda que o Governo, assegurou, «esteja preparado para atuar perante qualquer tipo de situação».

O Governo nacional, explicou, ordenou também uma auditoria externa para verificar se os custos de investimento neste armazenamento subterrâneo são os declarados pela empresa gestora.

O governante recordou que as comunidades autónomas afetadas (Comunidade Valenciana e Catalunha), têm ativados os seus respetivos planos de sismicidade «no nível mais baixo existente», o zero, o que confirma que, «na opinião dos técnicos, a situação não é preocupante».

A atividade de injeção de gás não se retomará, disse, enquanto os técnicos não garantam que se trata de uma instalação segura para a população, sendo que para já não está equacionado o fecho permanente da unidade.

Por sua vez, a Generalitat (Governo regional) valenciana explicou que exigirá «todas as responsabilidades de todo o tipo» pelo que possa ocorrer em torno ao projeto Castro, permanecendo à espera das conclusões «definitivas» sobre as investigações aos sismos.

O presidente de Escal UGS - empresa que gere o armazém de gás Castor -, Recaredo do Potro, afirmou, entretanto, que a magnitude dos sismos não está relacionada com a injeção de gás.

Em declarações a TV3, Do Potro assegurou que «a situação atual na unidade é de total normalidade» e confirmou que se deixou «de injetar e extrair gás» desde o passado dia 16 de setembro.