A Amnistia Internacional (AI) acusou, esta segunda-feira, o Governo de Erdogan de abuso de poder, e fala mesmo em casos de tortura e de violação para com as pessoas que foram presas na Turquia, desde a tentativa de golpe de Estado.

Numa semana em que a Turquia está em estado de emergência, a organização mundial de defesa dos direitos humanos garantiu ter provas que denunciam os maus tratos a que os presos têm sido sujeitos pelas mãos das autoridades turcas.

“É imperativo que as autoridades turcas parem com estas práticas abomináveis e permitam a presença de intermediários internacionais nos locais onde estão encerrados os detidos", disse o diretor da Amnistia Internacional na Europa, John Dalhuisen, em comunicado citado pelo jornal Independent.

O presidente turco Tayyip Erdogan tem mais de 13 mil pessoas detidas para interrogatório num período de tempo que pode variar entre quatro e 30 dias. Este período estabelecido aumenta, segundo a análise da AI, o risco de maus tratos e abusos.

No sábado, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, confirmou que entre os 13 detidos, estão quase 8.900 soldados. O governante disse ainda que os envolvidos na tentativa de golpe de Estado devem ter um julgamento justo.

Em cima da mesa, continua a possibilidade de a Turquia reintroduzir a pena capital no país. Caso a pena de morte volta à constituição turca, as negociações para a entrada do país na União Europeia poderão ficar comprometidas. O último aviso surgiu do próprio presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Se a Turquia reintroduzir a pena de morte, cessaremos de imediato as negociações porque um país que usa o seu arsenal legislativo para a pena de morte não tem lugar na União Europeia”.