Um rosto de criança em tamanho gigante num campo do Paquistão olha-nos de frente, para lembrar que as vítimas dos drones são pessoas, por muito impessoais que sejam os aviões não tripulados usados nos Estados Unidos.

É uma instalação de um coletivo de artistas, um projeto que se chama #NotABugSplat. Pretende combater a desumanização subjacente à lógica dos drones, e refere-se a uma expressão que, diz um dos artistas à CNN, operadores dos drones usam para se referirem às vítimas que, «vistas à distância num ecrã com grão, parecem insetos a ser esmagados».

Os ataques dos Estados Unidos com drones no noroeste do Paquistão, junto à fronteira com o Afeganistão, começaram em 2004 e têm aumentado de intensidade nos últimos anos. Estima-se que já tenham feito mais de três mil mortes entre alvos selecionados, mas também civis.

Os artistas, que se inspiram no projeto «Inside Out» do francês JR, contataram uma organização nos Estados Unidos, a Reprive, para terem informação sobre as vítimas dos drones e foi assim que chegaram ao rosto desta criança, que terá perdido os pais num ataque de drones no Waziristão do Norte em 2010.

Pretendem fazer mais cartazes de crianças que vivem na região e coloca-los em campos, para que possam ser vistos pelos satélites que captam paisagens e pelos operadores de drones nos seus ecrãs.