Os peritos das Nações Unidas que estão a investigar o possível uso de armas químicas na Síria precisam de quatro dias para acabar o trabalho, declarou esta quarta-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

«Deixem-nos acabar o trabalho em quatro dias», disse Ban Ki-moon numa conferência de imprensa em Haia.

Um porta-voz explicou depois que são quatro dias a partir do início da missão no local, na segunda-feira.

Apesar dos disparos contra a coluna de veículos dos inspetores, estes deslocaram-se na segunda-feira ao local onde terá ocorrido um ataque com armas químicas, nos arredores de Damasco, e procederam, segundo a ONU, a uma recolha produtiva de «provas».

Deviam continuar na terça-feira, mas isso não aconteceu e a missão foi adiada para hoje por falta de garantias de segurança da parte dos rebeldes, segundo as autoridades sírias. Os rebeldes negaram as acusações.

«Depois, os peritos devem fazer análises científicas e, em seguida, um relatório para o Conselho de Segurança para que este decida as ações que julgue necessárias», acrescentou o secretário-geral.

Quanto à legalidade de uma eventual intervenção militar, uma questão que divide a Rússia dos países ocidentais, Ban Ki-moon respondeu que é «a carta das Nações Unidas que determina o quadro de ações que podem ser adotadas para preservar a paz e a segurança internacionais», cita a Lusa.

O alegado ataque com armas químicas do passado dia 21 de agosto, que causou a morte a centenas de pessoas, agravou as divergências entre Moscovo e o Ocidente sobre o conflito sírio: os países ocidentais acusaram o regime sírio enquanto a Rússia considerou que foram os rebeldes que usaram armas químicas para desacreditar o Governo.

Os Estados Unidos e seus aliados afirmam-se prontos para uma ação militar contra a Síria.

A Rússia defende que uma solução militar na Síria vai desestabilizar o país e o Médio Oriente.