Uma enfermeira de 28 anos, suspeita da morte de oito bebés e de ter tentado matar outros seis, no Hospital da Condessa de Chester, foi detida na última terça-feira em Chester, Inglaterra.

A BBC revela que a polícia começou a investigar a morte de oito bebés em maio de 2017. A investigação alargou-se, desde então, à morte de 17 bebés. Mas as suspeitas tinham começado muito tempo antes: já em julho de 2016, o hospital pediu uma auditoria externa e independente, por causa de um aumento "inexplicável" de mortes.

Também em julho de 2016, o hospital deixou de aceitar bebés permaturos ou que necessitassem de cuidados especiais. Todos os recém-nascidos com alta dependência de cuidados eram enviados para outras unidades hospitalares. 

De acordo com o jornal The Telegraph, num relatório à referida auditoria, datado de dezembro de 2016, o Royal College of Paediatricians and Child Health, disse ser impossível apurar o que levou à morte de tantas crianças, embora tenha encontrado muitas semelhanças entre os diferentes casos. A maioria dos recém-nascidos tinha sido submetida a autópsias, mas nenhuma apontou para pistas de envenenamento ou alterações dos níveis de açúcar no sangue. 

A detenção e as buscas

A polícia chegou a casa Lucy Letby, assim se chama a enfermeira, às 06:00. Foram feitas buscas à casa, que fica a cerca de um quilómetro e meio do hospital, e também à casa dos pais da detida, em Hereford.

Vi imensos carros da polícia a chegar, depois de ter chegado primeiro uma carrinha. Foram chegando cada vez mais carros e montaram uma tenda”, diz um vizinho da suspeita.

Lucy trabalhou durante três anos na unidade onde morreram os bebés, enquanto era ainda estudante, numa espécie de estágio. Em 2011, formou-se pela Universidade de Chester.

Numa entrevista em 2013, Lucy Letby mencionou que tinha começado a trabalhar na unidade depois de se formar e acrescentou que cuidar de bebés exige vários níveis de apoio.

Depois das investigações atrás referidas, no final de 2016, Lucy foi transferida para serviços administrativos e deixou de trabalhar diretamente com crianças. A informação é avançada ao The Telegraph por uma fonte do NHS, o serviço de saúde britânico, que questiona: "Eles transferiram-na para uma posição administrativa e não lhe deram funções de enfermagem. Se achavam que ela era suspeita, porque não a suspenderam de uma vez?"

A detenção da "adorável" enfermeira Lucy deixou os colegas em choque. Lucy era encarada como uma espécie de "superheroína para os bebés" de quem cuidava. Falava com devoção acerca da profissão que tinha e foi decisivo o seu contributo para a angariação de mais de 4,2 milhões de euros para a unidade de cuidados neonatais onde trabalhava. 

Também os vizinhos se mostram incrédulos. Em declarações ao Chester Chronicle, dizem não acreditar que alguém tão "dedicado" ao seu trabalho seja capaz de uma coisa destas. "Ela é adorável e sempre foi", afirma um vizinho que a conhece desde que tinha três anos. 

No Facebook, Lucy é membro de 14 grupos relacionados com os cuidados infantis. Nesses grupos, há também depoimentos de mães estupefactas com a detenção. De acordo com a imprensa britânica, uma mulher escreve num desses grupos privados que a enfermeira Lucy cuidou da filha dela "todos os dias durante sete semanas". 

Há também uma avó que a reconhece como a cuidadora de dois dos seus netos. 

O Hospital da Condessa de Chester não quis revelar se algum dos outros funcionários havia sido suspenso ou estava sob investigação.

Além das 17 mortes, os detetives estão a desenvolver uma investigação acerca do colapso de 15 recém-nascidos, entre março de 2015 e julho 2016.