Documentos revelados na sequência do escândalo Papéis do Panamá envolvem o nome do atual presidente da FIFA, Gianni Infantino. De acordo com o jornal The Guardian, em causa, estão suspeitas levantadas sobre contratos de cedência de direitos televisivos assinados entre 2003 e 2006, quando Infantino estava ao serviço da UEFA. Era então, mais precisamente, diretor do departamento jurídico da UEFA.

De acordo com o diário britânico, os documentos agora conhecidos, divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), dão conta da ligação do suíço, que agora é presidente da FIFA, a uma das empresas envolvidas no escândalo de corrupção que levou à suspensão do presidente Joseph Blatter.

A UEFA já negou qualquer irregularidade cometida por qualquer um dos seus funcionários ou parceiros. O organismo assegura a transparência dos contratos. A FIFA já tinha assegurado a idoneidade de Infantino e garantido que o dirigente  não tinha relações com qualquer elemento atualmente sob investigação.

Infantino era secretário-geral da UEFA e venceu, em fevereiro, a corrida para a substituição de Blatter na FIFA, depois de este se ter demitido na sequência de um escândalo de corrupção.

Em 2006, quando o suíço estava ao serviço da UEFA, a organização vendeu os direitos de transmissão televisiva das competições europeias, na América do Sul, a uma empresa argentina chamada Cross Trading, que os cedeu, de imediato, à Teleamazonas por três ou quatro vezes mais do que tinha pago. De acordo com o The Guardian, os contratos diziam respeito aos períodos entre 2003 e 2006 e 2006 e 2009.

A Cross Trading é uma subsidiária da Full Play, que é propriedade de Hugo Jinkis, que está em prisão dominciliária, na sequência de uma investigação de corrupção ligada a direitos de marketing e de media ligados ao futebol.

O envolvimento de Jinkis em negócios com a UEFA na altura atrás referida é agora trazida a lume pela investigação Papéis do Panamá.