O departamento anticorrupção do Ministério Público e a Provedoria de Justiça espanhóis pediram nesta segunda-feira, juntamente com a defesa, a retirada da acusação contra a infanta Cristina na primeira sessão do julgamento do caso Nóos.

O procurador Pedro Horrach apresentou, no primeiro dia da audiência, um relatório das Finanças para reforçar a sua tese de que a infanta Cristina, irmã do rei Felipe VI, não cometeu os crimes fiscais de que é acusada, além de insistir que se deve aplicar no seu caso a doutrina Botín.

Esta disposição, que estabelece que uma acusação popular não pode, por si só, fazer sentar no banco dos réus uma pessoa por delitos que se enquadram na assistência a uma acusação particular, foi invocada tanto pela defesa da ex-duquesa de Palma como, até de forma mais abrangente, pelo Ministério Público e pela Provedoria, que representam, no processo, a Agência Tributária.

Cristina de Borbón e o marido, Iñaki Urdangarin, respondem num processo de fraude através de uma fundação gerida pelo cunhado de Filipe VI. 
  
O casal chegou ao tribunal, em Palma de Maiorca, pouco antes das 08:15 locais e, à sua espera, estava um batalhão de jornalistas e muitos curiosos. 
  
O jornal espanhol El País reporta que a Infanta Cristina se mostra séria e inexpressiva na primeira audiência. Já o marido, Iñaki Urdangarin aparenta estar mais nervoso. 

Mesmo que fique a salvo do processo, a imagem de Cristina já ficou abalada na sociedade espanhola. O rei Felipe publicou um decreto real a informar que revogou o título de Duquesa de Palma de Maiorca que era usado pela sua irmã Cristina desde 1997.  
  
O escândalo de corrupção que abalou a monarquia espanhola envolve o marido da infanta, Iñaki Urdangarin, suspeito de ter desviado milhões de euros de fundos públicos por meio do Instituto Nóos, uma sociedade filantrópica a que presidiu entre 2004 e 2006.