Há sete anos, Bahrun Naim geria discretamente um cibercafé na pequena cidade indonésia de Solo, conta a Reuters. Esta quinta-feira foi identificado pela polícia como o cérebro dos ataques em Jacarta reivindicados pelo Estado Islâmico, comandando as operações a partir de Raqqa, a capital na Síria do grupo jihadista radical.

Pelo meio, Bahrun Naim foi preso em 2011 por posse ilegal de armas e ficou detido durante três anos. A polícia diz que, desde então, Naim emergiu como uma “peça-chave” nas redes militantes que surgiram em Solo e em Java central.
 

Há um ano, Bahrun Naim foi para a Síria, para integrar a linha da frente do Estado Islâmico. A polícia acredita que Bahrun Naim esteve intimamente envolvido na coordenação dos atentados desta quinta-feira.

Cinco bombistas e dois civis foram mortos no primeiro ataque do Estado Islâmico contra a Indonésia, o país muçulmano mais populoso do mundo, onde o grupo jihadista quer estabelecer uma frente asiática para o seu "califado".

Há semanas que havia pistas de que um ataque desta natureza poderia ter lugar em Jacarta. Após os ataques coordenados de 13 de novembro em Paris, Bahrun Naim lançou um blogue em que explicava aos seus seguidores como era fácil mover para a cidade a "guerra de guerrilha" nas selvas equatoriais da Indonésia.

A agência Reuters entrou em contacto com Bahrun Naim, no dia 24 de novembro de 2015, através da rede social Telegram, utilizando informações fornecidas por um dos seus conhecidos. Nesse contacto, Naim afirmou que havia partidários do Estado islâmico mais do que suficientes para "realizar uma ação" na Indonésia.

“Apenas estamos à espera do momento certo”", disse o homem que se identificou como Bahrun Naim.

A Reuters não conseguiu entrar em contacto com Bahrun Naim para comentar os ataques desta quinta-feira.

Não muito tempo depois da conversa através do Telegram, funcionários da inteligência começaram a perceber através de mensagens trocadas em chats de redes sociais que um ataque contra a Indonésia estava iminente.

“A interação começou a tornar-se mais organizada no mês passado e, pela primeira vez, houve conversas sobre um ataque múltiplo", disse à Reuters um assessor de segurança em Jacarta, que monitoriza para o Governo grupos radicais de discussão em serviços móveis de mensagens.

Agentes oficiais de combate ao terrorismo acreditam que há pelo menos mil simpatizantes do Estado Islâmico na Indonésia.