A polícia de Fort Wayne, no estado norte-americano de Indiana, está a investigar a morte de três rapazes de uma comunidade de predominância muçulmana que foram assassinados, aparentemente executados, a semana passada.

As três vítimas, Mohamed Taha Omar de 23 anos, Adam Mekki de 20 e Muhannad Tairab de 17, foram descobertas com múltiplos ferimentos de bala dentro de uma casa que a polícia chama de "casa para festas", refere a estação de televisão WPTA-TV, afiliada da ABC.

De acordo com a Al Jazeera, os jovens eram membros de uma comunidade da diáspora de Sahel, uma região oriental de África. No domingo, havia informações contraditórias acerca da religião dos três norte-americanos. Órgãos locais de comunicação social identificavam as vítimas como muçulmanos, mas o fundador da Darfur People’s Association (Associação das Pessoas do Darfur), Motasim Adam, que visitou no sábado as famílias das vítimas, disse à Associated Press que Omar e Tairab eram muçulmanos e Mekki era cristão.

“Estes jovens estavam apenas a começar a vida", diz à WANE TV o chefe da polícia de Fort Wayne, Garry Hamilton.

A polícia revela que a casa é um local com pouca supervisão, onde os adolescentes e os jovens com 20 anos se reúnem para se divertir. Nas últimas semanas, a residência estava na mira da unidade de polícia de Fort Wayne para os crimes violentos, mas Garry Hamilton afirma ao jornal Fort Wayne Gazette que as vítimas não têm qualquer ligação conhecida a gangues. De acordo com o jornal, os donos da casa vivem em Indianápolis.

“Muitas pessoas entram e saem da residência", diz o chefe da polícia. "Falámos com vizinhos e com um monte de jovens que vão e vêm a esta casa”, acrescenta Garry Hamilton.

 

As autoridades acreditam que as mortes ocorreram no espaço de uma hora ou mais, o tempo em que um grupo de pessoas saiu da casa e voltou depois para encontrar as vítimas. Garry Hamilton diz que seria difícil que uma pessoa cometesse os três homicídios de uma só vez, o que leva a polícia a suspeitar que há mais do que uma pessoa envolvida no crime. As autoridades ainda não divulgaram nenhum motivo para os assassinatos.

Rusty York, diretor de segurança pública da cidade, afirma à WPTA-TV que os investigadores não acreditam que os homicídios tenham acontecido por motivos religiosos.

"Esperamos ser capazes de nos concentrar exatamente em qual foi a razão, mas como eu disse antes, não há razão para acreditar que estes homicídios correspondam a qualquer tipo de crime de ódio ou tenham por base a religião ou a nacionalidade seja ela qual for”, explica o responsável.

Ibrahim Hooper, porta-voz do Conselho de Relações Americano-Islâmicas, um grupo de defesa dos muçulmanos com sede em Washington, diz que entrou em contacto com as autoridades que investigam o caso, os líderes da comunidade muçulmana local e as famílias das vítimas.

Hooper conta que muitas pessoas na comunidade muçulmana comparam as mortes às de três muçulmanos que foram mortos, há um ano, em Chapel Hill, N.C. Naquela época, os familiares das vítimas insistiram que o incidente devia ser encarado como um crime de ódio.

Apesar das garantias das autoridades de que as mortes dos jovens de Fort Wayne não foram motivadas por ódio, nas redes sociais os internautas afirmam que a ligação entre a religião dos rapazes e as suas mortes é indesmentível. Apoiantes das vítimas no Twitter começaram a usar a hashtag: #OurThreeBoys.

 

O chefe da polícia de Fort Wayne conta ao Gazette Journal que se reuniu na última semana com as famílias das vítimas, bem como com membros da comunidade africana da cidade. Garry Hamilton revelou ao jornal que pediu ajuda do FBI no caso de se descobrir que há uma ligação entre a religião das vítimas e as suas mortes.

De acordo com a CNN, durante o funeral de Mohamed Taha Omar e Muhannad Tairab, no sábado, Garry Hamilton pediu ao público que dê informações sobre o crime.

"Eu preciso que alguém venha e me diga o que sabe", pediu. "Por favor, estou a pedir a vossa ajuda e a vossa misericórdia para se fazer justiça a esses jovens”, afirmou.