Mulheres e adolescentes de uma região rural do norte da Índia que decidam vestir calças de ganga vão ser multadas em 132 euros. A decisão foi tomada por uma assembleia popular (mahapanchayat). «Isto ajudará a controlar os males da sociedade», argumenta Udai Singh, líder da comunidade Yadav que presidiu à reunião da assembleia popular.

De acordo com o jornal espanhol «El Mundo», o casamento infantil, o uso de DJ em casamentos, o dote ou os jogos de azar também foram proibidos pela assembleia. Todos serão castigados com a mesma multa. O tribunal vai premiar quem denunciar casos de violação daquelas regras.

As determinações da assembleia popular dividem opiniões na comunidade local. «Não tem lógica e não faz muito sentido que os chefes das aldeias emitam este tipo de ordem», afirma Anuj Prasad, um professor local, à agência IANS. O mesmo professor defende que as raparigas devem vestir o que entenderem.

«Estas proibições são bem-vindas. O uso de álcool arruinou várias famílias, por isso a proibição abriria o caminho para melhorar a situação da comunidade», assegura o líder religioso Ramesh Baba, citado pela agência PTI.

As assembleias populares ou «mahapanchayat» são conselhos para as zonas rurais compostos pelos denominados sábios, que criam um sistema judicial paralelo ao que vigora em todo o país. Neste caso trata-se de uma assembleia que representa 52 cidades no estados de Uttar Pradesh, Haryana e Rajasthan.

O sári, vestido que consiste numa longa peça de pano que envolve e cobre todo o corpo, é o traje nacional das mulheres indianas. As roupas femininas ocidentais, mais propensas a ficarem justas no corpo, ainda são muito contestadas em algumas partes do país, onde os valores tradicionais estão muito enraizados.