O número de mortes provocadas pelos incêndios na Grécia subiu para 86, numa altura em que cresce também a indignação entre os sobreviventes e os familiares das vítimas.

A oposição do governo grego acusou, esta sexta-feira, o Executivo de ter uma atitude arrogante e de fracasso total na proteção das pessoas na resposta aos incêndios que têm devastado o país. Os opositores condenam ainda o Governo de não ter respostas para as 86 mortes na cidade de Mati, escreve a Reuters.

Terminam esta sexta-feira os três dias de luto nacional declarados pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras – que não foi mais visto em público desde terça-feira, o dia em que anunciou o luto – e a oposição avança na ofensiva.

Este governo acabou de mostrar um descaramento desenfreado ao fracasso em proteger vidas e propriedades das pessoas”, afirmou Maria Spyraki, a porta-voz do partido da oposição Nova Democracia, sobre a conferência de imprensa do governo de quinta-feira.

O partido opositor condena o facto de nessa conferência não ter havido lugar a um pedido de desculpas por parte do Executivo, uma posição partilhada pelos sobreviventes e familiares.

Deixaram-nos sozinhos a arder como ratos”, disse Chryssa, sobrevivente em Mati, a um canal de televisão grego. “Ninguém veio aqui pedir desculpa, mostrar resignação, ninguém”.

O ministro da Proteção Civil, Nikos Toskas, disse na conferência que o governo suspeita de que os incêndios, que tomaram proporções colossais, terão tido origem em fogo posto.

O partido no poder defendeu-se afirmando que não houve tempo para chegar a todas as pessoas porque as chamas se alastraram a grande velocidade.

Fofi Gennimata, líder do partido socialista PASOK, disse que o governo carrega uma responsabilidade política enorme.

Porque é que não protegeram as pessoas com a implementação imediata do plano disponível para uma coordenada e organizada evacuação nas áreas ameaçadas?”, questionou a grega.

O governo anunciou entretanto uma lista de medidas de apoio, entre elas um pagamento único de 10 mil euros às famílias das vítimas. Aos cônjuges e familiares mais próximos foram oferecidos trabalhos no setor público.

Várias pessoas mostraram-se indignadas e dizem não serem medidas suficientes para minimizar a dor e pedem que as autoridades assumam a responsabilidade pelo estado a que a devastação chegou.

Mais de 500 casas foram destruídas e, de acordo com a corporação dos bombeiros, há locais que ainda não foram revistos.

Mais de 300 bombeiros e voluntários estão ainda esta sexta-feira em atividade nos locais afetados pelo fogo em buscas pelas pessoas desaparecidas.