O Senado brasileiro aprovou esta quinta-feira a abertura de um processo para a destituição de Dilma Rousseff. Com 78 senadores presentes, 55 votaram a favor e 22 contra. Renan Calheiros, o presidente do Senado, não votou.

A decisão foi tomada após uma sessão que durou quase 21 horas no plenário do Senado.

Agora, será o vice-presidente, Michel Temer, a ficar à frente dos destinos do maior país da América Latina. Temer, do PMDB, deverá assumir o cargo de Presidente ainda esta quinta-feira.

Dilma Rousseff é a segunda presidente a enfrentar formalmente um processo de impeachment, 24 anos depois de Fernando Collor. 

A até agora chefe de Estado será afastada do cargo por um período de até 180 dias, durante o qual responderá pelas acusações de que é alvo.

O pedido de impeachment foi aprovado a 2 de dezembro pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, um opositor declarado do governo de Dilma, que foi, recentemente, afastado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal pelo seu envolvimento no caso "Lava Jato".

Apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, o pedido sustenta que o governo brasileiro cometeu irregularidades fiscais no atual mandato, iniciado em janeiro de 2015.

O Senado entendeu que há indícios de crime de responsabilidade de Dilma Rousseff, com base, essencialmente, em dois pontos: a emissão de seis decretos de crédito suplementar em 2015 e as "pedaladas fiscais" (operação de crédito irregular). "Lava Jato" e outras irregularidades de 2014 não fazem parte do parecer a favor da destituição.

Antes de chegar ao Senado, este pedido foi aprovado por uma comissão especial formada para o analisar e teve luz verde dos deputados da Câmara. 

Ao longo dos últimos meses, Dilma não se cansou de reiterar que este processo de impeachment era uma tentativa de "golpe" de Estado.