«Éramos uns 950 a bordo. Quarenta ou 50 crianças e cerca de 200 mulheres. (…) Muitos foram fechados nos porões do navio. Os traficantes fecharam as portas impedindo-os de saírem».

«Partimos de um porto a 50 quilómetros de Tripoli. Embarcámos e muitos imigrantes foram fechados no porão».

E não são apenas as palavras de quem sobreviveu à tragédia que impressionam. Quem tentou e tenta, a todo o custo, resgatar sobreviventes também tem momentos dramáticos para contar.

 

Um deles é o capitão do King Jacob, o cargueiro de bandeira portuguesa que terá sido o primeiro a chegar ao local da tragédia: «Navegávamos em direção a eles, quando vimos que estavam agitados e o barco virou antes que pudéssemos chegar mais perto e baixar os botes salva-vidas».

 

«Há apenas óleo e detritos, pedaços de madeira à deriva e alguns salva-vidas. Não encontramos nada desde as 10:00», diz também um dos elementos das equipas de regate.

 

«Fomos chamados pelo centro de operações, que nos pediu para desistir de pesca e tentar salvar pessoas. Como sempre, não dissemos não. Mas não encontrámos sobreviventes. Resgatámos quatro corpos», conta o comandante de um navio pesqueiro chamado a ajudar nas buscas.