Fotografar a chegada de migrantes africanos à Europa tornou-se um acaso na vida do fotógrafo argentino Juan Medina, a viver em Espanha e atualmente a trabalhar para a Reuters. Foi em 2004 mas podia ser em 2015, com as tragédias no Mediterrâneo a sucederem-se sem que ninguém consiga pôr termo aos “horrores do mar”, como lhes chama.
 
Juan Medina conquistou o terceiro lugar no World Press Photo de 2004 com esta imagem de salvamento após um naufrágio ao largo das Canárias, em Fuerteventura. Após mais uma tragédia no mar, em que morreram 800 migrantes, a BBC conversou com o repórter fotográfico.

“O que aconteceu naquele dia de 2004 não é diferente do que tem acontecido ao longo dos anos, e vai continuar a acontecer”, defende Juan Medina.

 
Em 2015 registaram-se já 30 vezes mais mortos que no ano passado. O sonho de uma vida melhor transforma-se num pesadelo quase sempre em alto mar. Espanha e Itália não têm mãos a medir para tantos sonhadores.


 
Naquele fatídico dia de 2004, conta Juan Medina, os migrantes viajavam num pequeno barco lotado.

“Chegados às Canárias tinham à sua espera a Guarda Civil espanhola. Os migrantes iniciavam o transbordo para um barco maior quando a pequena embarcação não resistiu ao peso excessivo sobre um dos lados e virou. 29 foram salvos, nove morreram, todos homens. A maioria vinha do Mali, da Costa do Marfim e do Gana”, recorda.

 
Foi em 2004 mas podia ser em 2015. As razões da migração não mudaram, tal como não mudaram as causas dos naufrágios. A pobreza e/ou a perseguição religiosa continuam a dar a mão aos vendedores de sonhos e às suas embarcações de promessas falhadas.


 

“Não passa um mês sem haver uma tragédia. Ao longo dos últimos 20 anos, as pessoas continuam a morrer afogadas e não vejo nenhuma mudança. E se houve alguma foi para pior. Cada tragédia parece maior e a patrulha dos mares é cada vez mais intensive”, lamenta o fotógrafo.