Mais de 150 imigrantes subsaarianos conseguiram entrar na cidade autónoma de Melilla nas últimas 24 horas, culminando um ano de pressão migratória sem precedente no enclave espanhol no norte de Marrocos.

«Desde as 22:00 [21:00 em Lisboa] de terça-feira, mais de 800 imigrantes, divididos em vários grupos perfeitamente organizados, tentaram chegar à barreira fronteiriça que separa Marrocos de Melilla», informou a prefeitura num comunicado, descrevendo uma «noite de extrema pressão migratória».

Esta quarta-feira, pouco depois das 05:00 locais, «54 subsaarianos acabaram por conseguir passar o dispositivo» montado para impedir a entrada de imigrantes em território espanhol.

Dois guardas civis foram feridos durante o «assalto muito agressivo» à fronteira, em que os imigrantes lançaram objetos contra os polícias que tentavam impedir-lhes a entrada, segundo a prefeitura.

Horas antes, na terça-feira à noite, 102 imigrantes tinham conseguido passar a barreira, tripla e de uma altura de seis metros e que é, com Ceuta, uma das duas únicas fronteiras terrestres entre Europa e África.

“Não podemos permitir que assaltos coletivos com recurso à força sejam uma constante na fronteira sul da Europa. Não é um modelo de imigração a que nos possamos resignar”, afirmou o prefeito de Melilla, Abdelmalik El Barkani, citado no comunicado.

Segundo números do Ministério do Interior de Espanha citados pela agência EFE, em 2014 quase 5.000 imigrantes conseguiram entrar no enclave, contra pouco mais de 3.000 em todo o ano de 2013.

O Centro de Permanência Temporária de Imigrantes de Melilla termina 2014 com cerca de 1.500 imigrantes acolhidos, o que corresponde a três vezes a sua capacidade.