No Líbano, entraram em vigor as novas restrições à entrada de sírios no país.

As autoridades libanesas querem, desta forma, travar o fluxo de imigrantes que foge da guerra civil na Síria, que dura há quase três anos. O crescimento dos grupos extremistas no país de Bashar al Assad, com o poder alcançado pelos jihadistas, veio agravar ainda mais este êxodo.

O Líbano já acolhe mais de um milhão de refugiados sírios, de acordo com os dados do ACNUR, a agência da ONU para os refugiados. A estes números somam-se aqueles não estão registados e que podem atingir meio milhão. O governo libanês estima que os sírios representem um terço da população do país. Ora, este crescendo populacional tem provocado tensões entre a população líbanesa e os imigrantes, que concorrem aos postos de trabalho. A mão-de-obra síria está maioritariamente empregue em trabalhos domésticos, agricultura e construção.

E são estas tensões sociais que levaram o Líbano a mudar as regras do jogo, obrigando os sírios a tirarem visto de entrada no país, ao contrário do que acontecia até agora, em que passagem na fronteira estava livre de restrições. Ainda antes destas alterações legais, já várias cidades e vilas libanesas colocavam entraves à passagem dos sírios através de milícias populares.

Os vistos terão um limite temporal e os sírios que passem a fronteira têm que ter um contrato de trabalho com uma empresa sediada no Líbano ou razões justificáveis para ver o asilo concedido, de acordo com a BBC.

A lei não é clara quanto àquilo que acontece aos sírios que já vivem no país, a maioria em acampamentos ou aglomerados em grupos de dez ou 15 pessoas numa casa.

Segundo a BBC, os sírios consideram esta medida «tirânica» para os milhões que apenas tentam fugir à guerra.