O Estado Islâmico pode está a infiltrar militantes nos barcos que trazem imigrantes para a Europa. A denúncia parte de um assessor do Governo líbio, em declarações à BBC.

De acordo com Abdul Basit Haroun, os traficantes estão a esconder extremistas entre os migrantes que partem da costa africana. A mesma fonte assegura que o Estado Islâmico permite que os barcos operem no Mediterrâneo em troca de metade da faturação o faturamento.

"Eles mandam as pessoas que querem à Europa, porque a polícia europeia não sabe quem é do EI e quem é um refugiado normal", disse o porta-voz líbio à rádio BBC 5, explicando que as suas informações se baseia em conversas com traficantes e zonas do Norte de África controladas pelo Estado Islâmico.


A denúncia já não constitui propriamente uma novidade. Já anteriormente as autoridades europeias e egípcias tinham levantado essas suspeitas.

Mas especialistas têm sido cautelosos ao analisar esta questão. “O governo egípcio está particularmente interessado em amplificar a ameaça do Estado Islâmico na Líbia, pois procura desesperadamente apoio internacional para uma intervenção no seu próprio país", sublinha, por exemplo, Alison Pargeter, analista de assuntos líbios do Royal United Services Institute, um centro de estudos britânico.

Christian Kaunert é especialista em questões de terrorismo. O analista admite que o risco é "plausível". "Mas é difícil avaliar se é absolutamente credível, porque, por definição, esses barcos viajam em segredo", ressalvou.

Mais de 60 mil pessoas já tentaram cruzar o Mediterrâneo só este ano, numa tentativa de fugir a conflitos, à pobreza ou mesmo ao Estado Islâmico. Estima-se ainda que mais de 1.800 pessoas tenham morrido na tentativa de alcançar território europeu.