A Austrália concordou em fechar o campo de refugiados em Manus Island, na Papua Nova Guiné, local onde se encontram centenas de refugiados que pediram asilo. A decisão foi anunciada esta quarta-feira pelo governo da Papua, que não indicou, no entanto, data para o encerramento.

“Tanto a Papua Nova Guiné como a Austrália concordaram que o campo é para ser fechado”, avançou o primeiro-ministro da Papua Nova Guiné, Peter O’Neill.

Muito criticada, a política australiana em matéria de imigração sofreu em abril um pequeno revés, quando o Supremo Tribunal da Papua Nova Guiné declarou “ilegal e anticonstitucional” a colocação por parte da Austrália dos refugiados que pediam asilo naquele campo no território da Papua.

Este centro tem acolhido refugiados desde 2012. 

O anúncio surge depois de mais de 100 antigos trabalhadores nos centros de imigrantes que a Austrália mantém em Nauru e na Papua Nova Guiné terem pedido ao governo de Camberra asilo em território australiano para os detidos naqueles estabelecimentos.

Os manifestantes também assinaram uma carta na qual pedem a abertura de uma investigação parlamentar sobre os incidentes de abusos sexuais e maus tratos contra os imigrantes no centro de Nauru, publicados na semana passada pelo diário The Guardian.

Mais de 2.000 relatórios sobre incidentes, escritos entre 2013 e 2015 por trabalhadores do centro, revelam abusos e traumas em crianças e mulheres no recinto que a Austrália estabeleceu junto à vizinha república de Nauru.