O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu que a regularização de mais de cinco milhões de imigrantes indocumentados anunciada quinta-feira não é uma amnistia, como sustenta a oposição republicana, mas uma medida «moderada e de bom senso».

«Sei que alguns dos críticos desta medida lhe chama de amnistia. Bem, não o é», disse Barack Obama.

O Presidente norte-americano lembrou também que amnistia «é o atual sistema migratório em que milhões de pessoas vivem nos Estados Unidos sem pagarem impostos ou sem cumprirem as regras do país, em que os políticos usam o tema para assustar os cidadãos e caçar votos».

Republicanos criticam regularização

Os adversários republicanos de Barack Obama já qualificaram de inconstitucional o projeto de regularização de cinco milhões de trabalhadores imigrantes ilegais anunciado hoje pelo Presidente, e prometeram travá-lo no Congresso e na Justiça.

«Não é assim que a nossa democracia funciona», afirmou o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner. «O Presidente [Obama] disse anteriormente que não era um rei nem um imperador, mas comporta-se como tal», criticou.

As medidas propostas «são inconstitucionais e ameaçam a democracia», disse o representante republicano Michael McCaul.

Hillary Clinton sai em defesa de Obama

A ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton saiu em defesa do plano de Barack Obama e apelou aos republicanos para aprovarem toda a reforma no Congresso.

«Ao abdicar das suas responsabilidades, a Câmara dos Representantes abriu caminho para esta ação executiva, seguindo os precedentes de Presidentes de ambos os partidos há várias décadas», sublinhou Clinton, num comunicado intitulado «Apoio à decisão do Presidente».

México aplaude medidas 

O Governo mexicano acolheu com agrado as medidas anunciadas pelo Presidente norte-americano Barack Obama que podem «beneficiar um número significativo de mexicanos no país».

A Secretaria das Relações Exteriores afirmou, em comunicado, que estas medidas têm potencial de melhorar as oportunidades dos mexicanos nos Estados Unidos, assim como impulsionar a «sua dignidade e segurança».

Indocumentados nos Estados Unidos celebram medidas

O anúncio da regularização de cinco milhões de indocumentados nos Estados Unidos pelo Presidente Barack Obama, uma medida há muito esperada pelos imigrantes no país, foi recebido com alívio e alegria.

«Já não temos de andar escondidos nem com medo da deportação», disse à EFE a hondurenha Yeisy Alcántara, que manifestou esperança de que as novas medidas consigam impedir que o seu marido, atualmente num centro de detenção, seja enviado de volta às Honduras.

Vários grupos de defesa dos direitos dos imigrantes reuniram-se na noite de quinta-feira para ouvir o discurso de Barack Obama, que ofereceu a possibilidade de legalização de, pelo menos, cinco dos 11 milhões de indocumentados que vivem no país.