Os deputados da oposição húngara foram hoje impedidos, pela terceira vez em duas semanas, de levar a bandeira da União Europeia (UE) para o parlamento da Hungria, na mais recente disputa em torno da identidade europeia do país.

A segurança do edifício impediu que os eleitos do Partido Socialista entrassem com a bandeira, situação que já tinha ocorrido na quarta-feira e na semana passada.

«Não ter a bandeira no parlamento vai contra os valores europeus», disse um dos deputados barrados, Ildiko Bangone Borbely, à AFP.

A bandeira da União Europeia foi desfraldada no parlamento, ao lado da húngara, até maio, quando o presidente do parlamento, Laszlo Kover, a declarou mal vinda.

Kover, um aliado próximo do primeiro-ministro, Viktor Orban, argumentou que a lei não obriga os membros da UE a terem a bandeira desta no parlamento.

Pela sua parte, Orban tem atacado frequentemente Bruxelas por interferir na política húngara e criticar a avalanche de novas leis aprovadas desde que tomou posse em 2010.

A bandeira da UE tem sido popular entre os manifestantes que têm promovido grandes protestos antigovernamentais, que começaram em outubro depois de Orban ter tentado introduzir uma taxa sobre o uso da internet.

Na última manifestação, realizada na segunda-feira, com cerca de 25 mil participantes, um manifestante exibindo a bandeira da UE, disse à AFP que receava ver a Hungria afastar-se da União.

«Nós pertencemos à Europa, não à estrada para Putin», disse.

Críticos do governo dizem que a cooperação da Hungria com a Federação Russa no setor da energia - incluindo um empréstimo multimilionário de Moscovo a Budapeste para modernizar uma central nuclear e o apoio húngaro ao projeto de gasoduto Corrente do Sul, apoiado pelos russos - mostra a proximidade entre Orban e Putin.

Mas hoje Orban rejeitou a classificação da Hungria como sendo «pró-russa», como sendo «sem sentido».

Durante um discurso em Budapeste disse: «As nossas políticas são pró-húngaras», acrescentando que a Hungria, «enquanto membro da NATO e da UE, será leal aos seus aliados, mesmo que discorde com algumas medidas».