A carta de despedida de Peter Will era dirigida à mulher e aos seus seis filhos. Escrita em 1944, antes de ser deportado para um campo de concentração Nazi, chegou agora, finalmente, às mãos da família, bem como a sua carteira.
 
Joop Will, que tinha dez anos quando o pai foi preso, não escondeu a emoção de receber este testemunho do pai, passados 70 anos.
 

“Foi muito emotivo para nós. Foi algo que não estávamos à espera”, disse o filho à AFP, embora não adiantasse o conteúdo da carta.

 
O holandês Peter Will foi detido na cidade de Nijmegen, na Holanda, em 1943, levado para um campo de concentração em 1944 e morto quase no final da guerra, em 1945.
 
Peter Will, um inspetor de atividades económicas e sanitárias, era acusado de ajudar os aliados e de, inclusive, tê-los escondido num matadouro.
 
Os filhos perceberam, mais tarde, algumas das ações do pai, como aquelas vezes em que ele desaparecia sem dizer nada, após passar horas a olhar pelos binóculos.
 
“Para nós, a história nunca termina, está sempre no nosso pensamento”, acrescentou Joop Will, sobre a busca incessante dele e dos irmãos, todos estes anos, em busca do rasto do pai e da sua história.
 
Mas, já não tinham esperança de encontrar mais objetos pertencentes ao pai, após terem recuperado a aliança de casamento, uma bíblia, e uma caneta, em 1949.
 
Não foram, no entanto, Joop e os irmãos a descobrir a carteira do pai, mas sim um amigo destes enquanto navegava na Internet, num site dedicado às vítimas do Nazismo.
 
Para além da carta, a carteira guardava também as fotografias da família. A família que Peter Will não voltou a ver.