O restauro do edifício e da cúpula que salvaguardam o local onde Jesus Cristo terá sido sepultado está terminado. As conclusões de todo o processo de recuperação deverão agora ser apresentadas na quarta-feira pela arqueóloga responsável, a grega Antonia Moropoulou.

É possível, atualmente, ver-se a cor e textura, as inscrições e as pinturas a fresco”, disse a arqueóloga, ouvida pela agência noticiosa Efe.

O edifício, localizado onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo foi enterrado e ressuscitou ao terceiro dia, foi alvo de obras de restauro que se prolongaram por dez meses, durante os quais foram limpos os mármores da estrutura e se reforçou a sua estabilidade.

Foram também substituídas as telas danificadas e tapadas as gretas com argamassa, preenchidas as fissuras e reforçados os suportes para que o “monumento dure para sempre”, realçou a arqueóloga grega.

Os andaimes, colocados pelas autoridades britânicas, em 1947, foram retirados em finais de fevereiro último. Também as lonas e redes que tapam o edifício serão tiradas em breves, tornando visíveis ao público os materiais da construção, cuja apresentação será feita na próxima quarta-feira.

Levantada a lápide do túmulo de Jesus

No topo da cúpula está colocada uma cruz grega, que ali não se encontrava anteriormente às obras de restauro e que, segundo o arqueológo Eugenio Alliata, frade franciscano, poderá ter pertencido ao projeto original.

Com um orçamento inicial de três milhões de euros, a equipa de restauro contou com um financiamento total de seis milhões, 80% dos quais provenientes de donativos do estrangeiro, disse à Efe, Bonnie Burham, ex-presidente do Fundo de Monumentos Mundiais.

A arqueóloga Moropoulos afirmou-se satisfeita com os trabalhados e pediu à “comunidade cristã que mantenha” o restauro feito.

Em estudo está o projeto de “estabilização das fundações”, que a arqueóloga responsável entregou aos três guardiães da igreja – o ortodoxo grego, o apostólico arménio e o católico.

Este estudo e a sua concretização visam evitar uma maior deterioração do edifício no futuro, apesar da grande complexidade de que se revela a obram, por implicar a drenagem de águas e os despejos subterrâneos acumulados nas fundações.

A igreja do Santo Sepulcro manteve-se aberta ao culto e aos peregrinos durante todo o processo de restauro. Apenas esteve encerrada durante 36 horas, quando foi levantada a lápide que tapava a vala original de Jesus Cristo, o que não acontecia há 500 anos.