Afinal, havia outra(s). O fundador dos mórmons sempre foi tido como leal à sua esposa, Emma. Publicamente, pelo menos, era isso que constava, dado que até partilham uma estátua, em Salt Lake City, no Estado norte-americano do Utah. Mas, agora, os atuais líderes mórmons reconhecem, pela primeira vez, que teve mais do que uma mulher. Joseph Smith relacionou-se com cerca de 40.

Segundo o «The New York Times», algumas das mulheres de Smith eram casadas e tinham entre 20 e 40 anos. Uma das revelações mais chocantes é que algumas delas eram esposas de amigos e seguidores de Smith. Mas não só: casou-se com Helen Mar Kimbal, uma filha de dois amigos íntimos, que estava a poucos meses de completar 15 anos.

O jornal cita uma série de ensaios agora divulgados na Internet, num esforço de transparência daquela igreja - cujo nome oficial é Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias -, em relação à sua história. Isto depois de os seus membros terem encontrado várias reivindicações perturbadoras sobre a fé na Internet.

Se muitos mórmons criticavam o sucessor de Smith, Brigham Young, por praticar a poligamia, mostraram não saber a verdade sobre o pioneiro dos mórmons. «Joseph Smith foi-me apresentado como um profeta praticamente perfeito, e isso é verdade para muita gente». Palavras do blogger Emily Jensen, que escreve sobre estes fiéis.
Os ensaios inéditos revelam ainda que, provavelmente, Smith não teve relações sexuais com todas as suas esposas. Alguns compromissos terão sido «selados» para uma próxima vida.

O que pensaria Emma de tudo isto? À luz dos escritos, entendia que a poligamia era «uma provação dolorosa». A igreja dos mórmons tem na fidelidade um dos princípios norteadores. Os fiéis não devem ter qualquer relação sexual antes do casamento, sendo que, depois, só mesmo com o seu cônjuge. Joseph Smith, o profeta, afinal agiu contra uma das normas principais. Ele, que também foi candidato a presidente dos EUA, foi morto um dia antes das eleições.

Ao todo, já foram publicados 12 ensaios, no último ano, todos sobre temas polémicos, como é o caso, também, da proibição de negros no sacerdócio (levantada em 1978).  

Num esforço de sinceridade e de compreensão da história, os mórmons acreditam que a fé, a devoção e o sacrifício são ilações a retirar, embora as pessoas que deram a cara pela igreja não fossem perfeitas.A co-fundadora do site MellennialMormons.com, Samantha Shelley, acredita que a nova geração de mórmons beneficiará desta transparência.