Antigo ministro e comentador da TVI, Paulo Portas assume que o "problema da pedofilia e de outros abusos sexuais na Igreja existe e existe como herança do passado".

Na rubrica "Global", no Jornal das 8 da TVI, Portas acentuou que se trata de um assunto que "ainda não está completamente resolvido" no seio da Igreja.

Para as vítimas é profundamente doloroso, para as  famílias, há um sentimento de traição, para os fiéis é uma fonte de inquietação e preocupação e para a hierarquia é um assunto que demorou a ser percebido", frisou Portas.

Para o comentador, é, contudo, "preciso ser justo. Desde o Papa João Paulo II ao Papa Bento XVI, ao Papa Francisco, que o chefe da Igreja assumiu publicamente esta questão e procurou debelá-la".

O Papa Francisco sentiu-se enganado por uma parte da igreja do Chile. Chamou os bispos a Roma e pediram todos a demissão. Isto aconteceu há um mês", lembrou.

"Igreja não é um partido político"

Face à questão da pedofilia que tem marcado a Igreja Católica nas últimas décadas, a Paulo Portas repugna "ver arcebispos, pessoas que chegaram à hierarquia, ou até cardeais escreverem cartas a pedir da missão do Papa".

A Igreja não é um partido politico, não é umas ONG, não é um sindicato, não é a facção A contra a facção B", expôs Portas, para quem a "Igreja representa a organização da fé para muitas centenas de milhões de pessoas e  muito importante essa fé nas suas vidas".

A pedofilia é um assunto muito doloroso para a Igreja e para os fiéis, mas acredito que a Igreja saberá resolver esse assunto, porque teve muitas evoluções, fez muitas rectificações. E é feita por seres humanos, que têm falhas", concluiu.