Pouco passava das sete da manhã (hora de Lisboa) quando surgiram as primeiras informações sobre o sequestro de um avião da Egyptair que fazia ligação entre Alexandria e o Cairo. Inicialmente, as autoridades davam conta que a bordo da aeronave estava um sujeito armado com um colete de explosivos que ameaçou explodir-se, se o avião não fosse desviado para o Chipre. Agora sabe-se que as intenções passariam por um atentado, mas a ameaça foi bem real e o avião foi mesmo levado para lá do Mediterrâneo.

O responsável pelos alertas foi, alegadamente, Seif El Din Mustafa, um cidadão egípcio, confirmou o porta-voz da presidência do Egito e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Chipre. Todo o aparato não aparente ligação ao terrorismo, confirmou o presidente do Chipre, e o homem só queria entregar uma carta à ex-mulher que vive naquele país.

Foto do alegado suspeito divulgada pelos media egípcios

Inicialmente, a agência estatal MENA informava que o suspeito era um cidadão egípcio-americano de 27 anos chamado Ibrahim Samaha, que estava sentado no lugar K38 - um professor de medicina veterinária na Universidade de Alexandria.

Mustafa terá ameaçado o piloto que tinha consigo um colete de explosivos e conseguiu que o avião aterrasse em Larcana. De imediato começaram as negociações com as autoridades, e cedo começou a libertação da maioria dos passageiros. Grande parte foi libertada pouco tempo depois da aterragem, e os restantes foram abandonando o avião ao longo da manhã.

Só por volta das 15:00 (13:00 em Lisboa) terminou o sequestro, com o resgates dos últimos passageiros e a detenção do suspeito.

O egípcio não teria aparentemente intenções de causar quaisquer mortos ou feridos. As informações divulgadas pela televisão cipriota CYBC indicam que Mustafa queria entregar uma carta de quatro páginas, escrita em árabe, à ex-mulher que vive no Chipre, e que atirou para fora do avião.

As autoridades cipriotas confirmaram, entretanto, que o cinto de explosivos era falso.

A mulher terá sido contactada pelas autoridades, mas não se sabe se chegou a ser levada para o aeroporto para ajudar nas negociações.

A agência Reuters, que cita os media do Chipre escreve que o homem pediu a libertação de prisioneiras no Egito, o que sugere motivações políticas. Esta foi a única exigência feita durante todo o sequestro.

Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros cipriota disse, à Reuters, que os motivos do sequestrador ainda não são claros.

O britânico The Guardian cita fonte oficial do ministério dos Negócios Estrangeiros do Cairo que confirmou que o homem não é um terrorista.

“Ele não é um terrorista, é um idiota. Os terroristas são loucos, mas não são estúpidos. Este homem é.”

O governo egípcio informou que vai enviar um avião para o Chipre para trazer de volta os passageiros.

A bordo da aeronave estavam 55 pessoas e sete tripulantes. O responsável pelo aeroporto de Alexandria avança que no avião estavam 30 egípcios, oito norte-americanos, quatro britânicos, quatro holandeses, dois belgas e um italiano.

O incidente já levou as autoridades a cancelar um voo, por motivos de segurança, para Nova Iorque que ia partir do Cairo.