Um padre católico de nacionalidade canadiana foi condenado, na Coreia do Norte, a prisão perpétua e a trabalhos forçados para o resto da vida, por “crimes contra o Estado”. Hyeon Soo Lim, de 60 anos, foi acusado de se ter juntado aos EUA e à Coreia do Sul numa conspiração contra o país e de ter espalhado propaganda falsa para perverter a imagem da Coreia do Norte.

Hyeon Soo Lim é originário da Coreia do Norte, mas exerceu a sua função enquanto padre em Toronto durante vários anos. Tinha viajado para o país numa missão humanitária em janeiro, mas acabou por ser preso um mês depois na capital, Pyongyang.

De acordo com a BBC, a família padre garante que este se tinha deslocado ao local para apoiar um orfanato e algumas unidades de saúde na região.

A Coreia do Norte, que bane toda a atividade religiosa e que já prendeu outros missionários em circunstâncias semelhantes, ordenou que o padre fosse submetido a julgamento. Depois de 90 minutos em tribunal, Hyeon Soo Lim foi considerado culpado de todas as acusações, incluindo de alguns “crimes contra o Estado”, como conspiração, tentativa de criação de “um Estado religioso” e de ajudar e financiar “desertores” a escaparem do país, muitas vezes através da Mongólia.

Antes do julgamento missionário apareceu no noticiário da Coreia do Norte, numa conferência de imprensa, na qual se assumiu como culpado de conspirar para derrubar o governo. Alegadamente, o padre também terá admitido ter tentado espalhar a mensagem que “a Coreia do Norte deveria colapsar com o amor de Deus”.

Hyeon Soo Lim já tinha feito várias missões humanitárias na Coreia do Norte, nos últimos dois anos. Quando foi detido, em fevereiro, o missionário foi acusado de usar a religião como um “disfarce”, para ocultar “as conspirações subversivas e as suas atividades, numa tentativa sinistra de criar um Estado religioso”.