O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, descreveu a chegada de refugiados à Europa como "um veneno" e disse que o país não quer e não precisa de "um único migrante".

Os atentados que se têm multiplicado nas últimas semanas em território europeu, nomeadamente o assassinato de um padre na região francesa da Normandia, servem de argumento ao chefe de Governo de direita, que criticou a política externa dos democratas norte-americanos apenas algumas horas depois de Hillary Clinton ter sido anunciada como candidata do partido à Casa Branca.

Esta quarta-feira em conferência de imprensa conjunta na capital, Budapeste, com o chanceler austríaco, Christoph Kern, Viktor Orban declarou que a política externa que interessa à Hungria é a que defende Donald Trump.

“A Hungria não precisa de um só imigrante para que a sua economia funcione ou para apoiar a população do país, ou para que o país tenha um futuro”, afirmou o primeiro-ministro, citado pelo jornal britânico The Guardian.

“É por isto que não há necessidade de uma política comum europeia de migrações: quem precisar de migrantes pode levá-los, mas não nos obriguem a ficar com eles”, acrescentou.

O líder populista disse ainda que "cada migrante representa um problema de segurança pública e um risco de terror".

"Para nós, a migração não é uma solução, mas um problema… não é um remédio, mas um veneno, não precisamos dela e não vamos engoli-la", garantiu.

O chefe do Governo húngaro é assim o primeiro a expressar em público a preferência por um dos candidatos norte-americanos às presidenciais de novembro, escreve o diário britânico.

Viktor Orban tem desafiado as decisões europeias relativamente aos requerentes de asilo e refugiados que têm colocado novos desafios à Europa, em particular desde 2015.

Orban recusa totalmente a adoção de uma política migratória comum no seio da União Europeia. O sistema de quotas obrigatórias defendido por Bruxelas, onde se estabelece que cada país da União Europeia deve acolher um determinado número de refugiados, será mesmo alvo de uma consulta pública no país. O primeiro-ministro marcou um referendo para 2 de outubro para perguntar aos húngaros se querem ou não participar naquele esquema.

Desde 2010, ano em que assumiu os destinos da Hungria, o primeiro-ministro húngaro, admirador declarado de regimes políticos como os que vigoram na Rússia e na Turquia, tem sido acusado por vários líderes europeus de minar a democracia húngara e de levar a cabo políticas pouco liberais. Foi reeleito para um segundo mandato nas eleições de 2014. 
 
As acusações subiram de tom em 2015, quando o Governo de Budapeste ordenou a construção de um muro de arame farpado na fronteira com a Sérvia, de forma a impedir a passagem de migrantes pelo país.