O Governo venezuelano de Hugo Chávez pagou mais de sete milhões de euros à fundação que daria origem ao Podemos com o objetivo de "propiciar mudanças políticas em Espanha mais alinhadas com o regime bolivariano", noticia o jornal ABC, nesta terça-feira.

As verbas em causa - pagas entre 2003 e 2001 - constam de um documento assinado pelo ministro das Finanças venezuelano da altura, Rafael Isea, e pelo próprio Hugo Chávez.

O documento foi hoje publicado pelo diário espanhol ABC, que o apresenta como "a prova definitiva em como o partido Podemos [de Pablo Iglesias] nasceu como uma extensão do Chavismo em Espanha".

No parágrafo 63 do relatório, o ministro explicita que os dinheiros pagos à fundação Centro de Estudos Políticos e Sociais (CEPS) - o berço do Podemos e à qual pertenceu toda a cúpula do partido - visam pagar não só as assessorias políticas feitas na Venezuela, como também tem um objetivo maior.

O documento especifica que a fundação CEPS - cujas assessorias serviram, segundo o ministro venezuelano, para "promover os conceitos de emancipação popular, consciência anticapitalista e controlo social" - recebeu 2.687.390 euros entre 2003 e 2007. O relatório - datado de 28 de maio de 2008 - também serve para pedir verbas adicionais a Chávez para a CEPS: 1.650.700 euros para o exercício de 2008 e outros 2.830.000 euros para o período 2009-2011.

O total é de 7.168.090 euros, um valor muito superior ao que a própria CEPS admite ter cobrado ao regime da Venezuela, cerca de 3,7 milhões. A CEPS terá trabalhado para o regime chavista até 2012, quando Pablo Iglesias já estava em processo de formação do Podemos, registado oficialmente como partido em janeiro de 2014.

Na fundação CEPS trabalharam não só o líder do Podemos, Pablo Iglesias, como o seu número dois, Íñigo Errejón, e as suas principais figuras: a deputada Carolina Bescansa e o antigo ideólogo e número três da formação, Juan Carlos Monedero.

O documento hoje mostrado pelo ABC está já na posse da Unidade de Delinquência Económica e Fiscal (UDEF) da Polícia Nacional espanhola, que já estava anteriormente a investigar o alegado financiamento ilegal do Podemos. Pela lei espanhola, é ilegal um partido político ser financiado por um regime externo.