A organização Humam Rights Watch (HRW) instou esta quarta-feira as Nações Unidas a pressionarem a Coreia do Norte para prevenir e investigar os abusos sexuais a menores, crime que o regime de Pyongyang diz que não existe no país.

De acordo com aquela organização dos direitos humanos, Pyongyang insiste em afirmar que não tem havido um único caso de abuso sexual de menores na última década, argumentando que “semelhantes atos são inconcebíveis” para os norte-coreanos, de acordo com um comunicado divulgado esta quarta-feira.

A organização humanitária assegura, contudo, que tem conhecimento de pelo menos quatro casos documentados entre 2008 e 2015 e de outros três no início da década, que refletem uma preocupante desproteção das meninas norte-coreanas por parte das autoridades perante os abusos sexuais.

O Comité dos Direitos da Criança (CRC, na sigla e inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou esta quarta-feira os representantes da Coreia do Norte para discutir a proteção de menores no país.

O CRC deve desmentir a afirmação de que não existem abusos sexuais e exigir que Pyongyang tome medidas imediatas para assegurar que protegem as vítimas de maneira real e sustentável", afirmou o vice-diretor da organização humanitária para a Ásia, Phil Robertson.

Apoiada em várias entrevistas com norte-coreanos que conseguiram sair do país, a HRW afirma que "é completamente normal que as mulheres e meninas da Coreia do Norte testem ou experimentem violência de género" e que as vítimas geralmente não denunciam casos de abuso às autoridades.

Esta não denúncia acontece porque as vítimas têm medo de ser estigmatizadas e desconfiam das forças de segurança do Estado, que não consideram os abusos contra as mulheres como um crime grave.

Embora o número de entrevistados não seja suficientemente grande para poder tirar conclusões sobre as condições em todo o país, proporciona um panorama dos abusos com base nas experiências pessoais dos entrevistados", acrescentou o comunicado da HRW.

O documento conclui garantindo que o testemunho dos entrevistados "fornece relatos preocupantes de assédio sexual, violação infantil e falta de proteção infantil".

Um relatório da ONU de 2014 já tinha sublinhado o abuso generalizado de direitos humanos de que diariamente sofrem os habitantes da Coreia do Norte.