Anja Ringgren Lovén, uma voluntária dinamarquesa a trabalhar na Nigéria, encontrou Hope nas ruas. Um menino de dois anos, magro, muito magro, sujo e doente. Escorraçado pela família por ser acusado de bruxaria

A fotografia que comoveu o mundo

Anja deu-lhe água e comida e levou-o para um hospital, onde o menino levou várias transfusões de sangue. Hope será um dos 34 meninos internados na African Children’s Aid Education and Development Foundation (ACAEDF), fundada por Anja e pelo marido David.

Mas o salvamento de Hope está também a refletir-se na ajuda a outras crianças. Desde que a fotografia foi partilhada e começou a correr mundo, a organização de Anja já conseguiu arrecadar mais de um milhão de dólares em donativos e muitas ofertas de colaboração e de voluntariado.

Anja publicou no Facebook uma atualização do estado de saúde do menino:

“Hope está muito melhor. Já ganhou muito peso e com está com um ar muito mais saudável. Agora só falta ensiná-lo a falar. Mas isso virá naturalmente, quando sair do hospital e começar a conviver com as nossas crianças. As crianças tornam-se muito mais fortes juntas.”

 

Se lige de runde kinder på Hope 󾍇󾭞🏽 Han ser allerede så sund og rask ud og han tager på i vægt hver eneste dag! Han er s...

Publicado por Anja Ringgren Lovén em  Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016

 

Numa entrevista ao Huffington Post, Anja conta que a primeira vez que se deparou com os problemas que as superstições provocam na Nigéria foi há três anos, quando viajou sozinha para o país e encontrou crianças “espancadas e torturadas quase até à morte por serem acusadas de bruxaria, sendo depois abandonadas nas ruas”.

“O que eu vi era tão bárbaro e terrível que me deixou arrasada. (…) Ser rejeitado pela própria família deve ser a pior sensação que uma criança pode experienciar. Não acredito que alguém possa sequer imaginar”, adianta.

Na mesma entrevista, Anja revela que o problema é muito maior do que se pensa: “Nós salvamos as crianças de Akwa Ibom acusadas de bruxaria. Damos-lhes amor e apoio. Mas para por fim à superstição, ao exorcismo e à magia negra levada a cabo por pastores e curandeiros, é preciso agir muito mais fundo”. E isso passa por apostar também numa melhor e em mais educação.