O último romance do premiado escritor japonês Haruki Murakami foi censurado em Hong Kong. A obra Kishidancho Goroshi (Killing Commendatore na tradução inglesa) foi declarada indecente, viu a sua exposição proibida na feira do livro e o seu acesso restringido a menores de 18 anos.

O Tribunal de Artigos Obscenos de Hong Kong anunciou, na última semana, que o romance foi classificado como “Nível II – materias indecentes", o que impediu a sua divulgação na Feira do Livro de Hong Kong. Com esta classificação, livrarias e bibliotecas são obrigadas a identificar a indecência com um aviso à volta do livro e impedir o seu acesso a leitores menores de idade.

Para o presidente da sociedade japonesa de autores trata-se de uma visão arcaica sobre a obra do mais traduzido escritor japonês, incluindo em Portugal.

As visões das autoridades de Hong Kong em relação à sexualidade e ao tratamento literário são arcaicas. E também são arbitrárias. Quem diz que a representação de sexo de Murakami em 'Kishidancho Goroshi' é mais indecente do que as de um romance de James Joyce ou Henry Miller? E, no entanto, o primeiro é banido de um evento literário e os outros são ensinados na escola como clássicos”, defendeu Jason Y Ng, citado pelo South China Morning Post.

Quase 2.000 pessoas assinaram já uma petição para que o tribunal reavalie a sua decisão, considerando que a mesma "torna Hong Kong a área mais conservadora da esfera cultural do Este asiático e trará vergonha ao povo de Hong Kong".

Kishidancho Goroshi ou Killing Commendatore, que chega ao Reino Unido neste outono, é, segundo a editora inglesa do romancista japonês, “uma viagem épica do poder do amor e da solidão, guerra e arte, bem como uma afetuosa homenagem a O Grande Gatsby, e um extraordinário trabalho de imaginação de um dos nossos maiores escritores”.