A casa e o escritório do magnata da comunicação social de Hong Kong, Jimmy Lai, foram incendiados esta segunda-feira de madrugada, de acordo com a polícia.

Os ataques surgem numa altura tensa para o território, depois de dois meses de protestos nas ruas contra a proposta de Pequim para alteração do método de eleição do chefe do Governo.

Lai, apoiante dos pró-democratas, já tinha sido alvo de outros ataques, nomeadamente durante as manifestações, quando um grupo de homens lhe atirou carne podre.

Os dois ataques, quase simultâneos, ocorreram pelas 02:00 (18:00 de domingo em Lisboa) na casa de Lai e na sede da Next Media, que publica o jornal Apple Daily, de acordo com informações prestadas pela porta-voz da polícia.

«Os casos foram classificados como fogo posto. Ainda estamos a verificar pormenores», explicou à AFP.

A polícia ainda não fez detenções e prossegue com as investigações, acrescentou, sem dar mais detalhes.

Não há registo de feridos e as imagens do local não indicam danos significativos aos edifícios.

Imagens desfocadas publicadas na página na Internet do jornal mostram um homem de máscara atrás de um carro a atirar um objeto incandescente na direção da casa de Lai, no bairro de Ho Man Tin, em Kowloon.

Dois carros, que se suspeita terem sido usados nos ataques, foram incendiados, avança o jornal South China Morning Post.

Lai, de 66 anos, visitou regularmente os acampamentos montados pelos manifestantes pró-democracia , que paralisaram partes da cidade até serem desmantelados em dezembro.

O empresário foi detido durante as operações de limpeza da polícia na zona de Admiralty, em dezembro, e foi convocado a deslocar-se à polícia este mês para contribuir para as investigações aos protestos.

A polícia prometeu acusar os «principais instigadores» dos protestos que pediam democracia plena, depois de a China ter declarado que todos os candidatos às eleições para chefe do Executivo de 2017 tinham de ser selecionados por um comité, visto como próximo do poder.

Lai demitiu-se de presidente da Next Media em dezembro, após a sua detenção, alegando que queria passar mais tempo com a família. Continua a ser um acionista maioritário na empresa.