referendo popular na Irlanda

“Fiquei muito triste com o resultado. A Igreja deve ter em conta esta realidade, no sentido de que deve ser usada para reforçar o compromisso com a evangelização. Acho que não se pode falar apenas de uma derrota para os princípios do Cristianismo, mas numa derrota para a humanidade.”

As palavras do cardeal e diplomata do Vaticano, numa conferência de imprensa, em Roma, esta terça-feira à noite, constituíram, até agora, a mais dura reação de um responsável da Igreja Católica ao resultado do referendo irlandês.

Uma posição mais contida teve, por exemplo, o arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin. O arcebispo relacionou o resultado com as ideias da população mais jovem, sublinhando que a Igreja tem estar consciente desta nova realidade.

“É muito claro que este referendo é uma afirmação das perspetivas da população jovem. A Igreja precisa de lidar com esta realidade.”

A Irlanda fez história, no último fim de semana, ao tornar-se no primeiro país do mundo a legalizar o casamento homossexual através da realização de um referendo popular. E logo com uma vitória expressiva do "Sim" face ao "Não" (62% contra 37%).

Uma aprovação que tem ainda mais simbolismo se se tiver em conta que se trata de um país com uma tradição profundamente católica, e onde, até 1993, os atos homossexuais eram proibidos.

O resultado do referendo foi comemorado por ativistas dos direitos gay em todo o mundo e, ao mesmo tempo, interpretado como como um sinal de afastamento da população mais jovem em relação aos princípios mais conservadores.

O Papa Francisco afirmou, em 2013, que não é ninguém para julgar os homossexuais.

"Se alguém é homossexual e procura o Senhor e tem boa-vontade, quem sou eu para julgar?"