Um militar norte-americano foi esta terça-feira condenado pela morte de uma transexual filipina.

O marine enfrenta uma pena que pode ir dos seis aos 12 anos de cadeia pelo homicídio, que se tornou também um pretexto, nas ruas, para acabar com a presença dos militares americanos no país.

Os factos remontam a 11 de outubro de 2014, Joseph Scott Pemberton, na altura com 19 anos, estava de licença nesse dia e foi gozar a folga para um bar, de onde saiu acompanhado de uma mulher para um quarto de hotel.


Joseph Scott Pemberton em tribunal (Reuters)


Jennifer Laude não chegaria a sair com vida desse quarto de hotel a norte da capital filipina, Manila. Foi encontrada, sem vida, com sinais de estrangulamento e com a cabeça na sanita.

Jennifer Laude era uma transexual filipina. O militar confessou em tribunal ter agredido Jannifer Laude, em legítima defesa, quando percebeu que estava a receber sexo oral de um homem, de acordo com a reportagem da Reuters, mas que, quando deixou o quarto de hotel, a transexual estava viva.

O tribunal não deu, por isso, como provada a premeditação do crime de homicídio, pelo que Joseph Scott Pemberton, atualmente detido numa cadeia de Manila, está sujeito a uma pena máxima de 12 anos.

A família da vítima, apesar da condenação do militar, entende que não foi feita justiça.

“Esta não foi uma vitória”, disse a irmã da vítima à agência noticiosa. A acusação pedia uma pena que fosse dos 20 anos à prisão perpétua, uma vez abolida a pena de morte naquele país em 2006.

Durante a leitura da sentença, populares manifestavam-se no exterior do tribunal. O caso representa muito mais do que a condenação de um estrangeiro pela morte de uma cidadã nacional e acendeu uma discussão sobre a forte presença militar norte-americana nas Filipinas, com várias manifestações nas ruas durante este ano.