O homicídio de ativistas ambientais aumentou na última década. Em 2012 houve cerca de três vezes mais ocorrências que nos 10 anos anteriores. Segundo um relatório da «Global Witness», entre 2002 e 2013 foram assassinados 908 ativistas, em 35 países, tendo sido condenadas apenas 10 pessoas. Só em 2012, observou-se a morte de 147 indivíduos.

De acordo com o documento da «Global Witness», a taxa de mortalidade aumentou nos últimos quatro anos. Em média morrem dois ativistas por semana, número ao qual se adicionam 17 desaparecidos, presumivelmente assassinados.

Segundo o «The Guardian», as 95 mortes documentadas em 2013 tendem a aumentar, contudo alguns documentos esbarram nas rígidas regras de alguns países de África e Ásia. Relatórios da República Centro Africana, Zimbábue e Mianmar, locais onde os grupos da sociedade civil são fracos e os regimes autoritários, não foram incluídos na contagem da «Global Witness».

«Muitas dessas ameaças enfrentadas são pessoas comuns que apelam contra a exploração mineira ou do comércio de madeira industrial, muitas vezes forçadas a deixar as suas casas, severamente ameaçadas pela devastação ambiental», descreve o relatório.

Outros foram mortos em protestos contra centrais hidroelétricas, poluição e conservação da vida selvagem.

Segundo a «Global Witness», o Brasil é o país mais mortal do mundo entre as comunidades que defendem os recursos naturais, com 448 mortes entre 2002 e 2013. As Honduras, com 109, e o Peru, com 58, são os países que se seguem.

Ao longo dos últimos 12 anos, no Brasil, apenas 10 processos foram bem-sucedidos. Uma investigação descobriu os autores em apenas 294 dos 448 óbitos, dos quais 54 foram identificados como polícias ou pertencentes a outras unidades militares.

Contudo o assassinato dos ecologistas brasileiros José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, em maio de 2011, sugere que ativistas de alto perfil não estão imunes à violência.

Na Ásia, as Filipinas são a zona mais mortal, neste campo, com 67 homicídios, seguidas da Tailândia, com 16.

«Os governos não estão a proteger os seus cidadãos e a comunidade internacional não está a prestar atenção suficiente à situação» explicou um dos responsáveis da «Global Witness», Oliver Courtney.

O apetite mundial por ouro, prata e outros minerais está a alimentar indústrias extractivas em países com instituições fracas, e está ligado a pelo menos 150 mortes desde 2002.