Milhares de pessoas depositaram esta terça-feira ramos de flores no pavimento da zona pedonal de Martin Place, em Sydney, prestando homenagem as vítimas que, esta segunda-feira, morreram durante um sequestro num café.

Katrina Dawson, uma advogada australiana de 38 anos e mãe de três crianças, e o seu compatriota Tori Johnson, de 34 anos e gerente do estabelecimento, morreram depois de terem sido feitas reféns, com outras 15 pessoas, por um homem armado no interior do café.

Identificado como Man Haron Monis, o homem entrou na manhã de segunda-feira no Lindt Chocolate Cafe, fazendo reféns 17 pessoas, entre funcionários e clientes.

De acordo com os media australianos, que citam fontes policiais, Man Haron Monis, de 49 anos, era um refugiado iraniano que se apresentava como um pregador do Estado Islâmico (EI).

O diário The Australian informou que enviou cartas de ódio às famílias de soldados australianos mortos em conflitos no estrangeiro e que estava em liberdade condicional, depois de ter sido acusado de cumplicidade no homicídio da ex-mulher.

PM australiano qualifica de «terrorismo» sequestro de civis 

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, qualificou como «terrorismo» o sequestro, esta segunda-feira, num café de Sydney, que terminou com três mortos, mas ressalvou que seria errado relacioná-lo com grupos extremistas.

Em conferência de imprensa, Abbott disse que o sequestrador, identificado como Man Haron Monis, é «um doente mental com um longo historial de crimes» e criticou as referências ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI) no caso do sequestro.

Outros cinco reféns e um agente ficaram feridos, três dos quais na sequência de disparos.

O primeiro-ministro australiano elogiou ainda a coragem de «pessoas decentes e inocentes» feitas reféns durante «a fantasia doente de um indivíduo profundamente perturbado».

«Não somos imunes à violência com motivações políticas que tem perseguido outros países», disse o chefe de Governo australiano.

Abbott também prestou elogios à atuação «profissional» da polícia.

«A Austrália será sempre uma nação livre, aberta e generosa (…) que abrirá o coração a todas as comunidades sem exceção», asseverou.

Por sua vez, a polícia australiana defendeu a sua atuação no sequestro.

«Se [a polícia] não tivesse entrado haveria mais mortos. Salvaram-se vidas», disse o comissário da polícia do estado de Nova Gales do Sul, Andrew Scipione.