Johan van Hulst foi um político e professor holandês, mas ficou conhecido pelos seus esforços para salvar centenas de crianças judias da morte, durante o holocausto. Morreu no último dia 22 de março, aos 107 anos, anunciou o senado holandês esta semana.

Na altura, Van Hulst era diretor de uma escola protestante ocalizada em Amesterdão, capital holandesa. A escola ficava mesmo em frente a uma creche usada pelos nazis que ocupavam o país no período do maior genocídio do século XX. Nessa creche, eram mantidas temporariamente as crianças judias, antes de serem transferidas os campos onde ocorriam os extremínios em massa. Nessa altura mais de seis milhões de judeus foram asssassinados.

Os nazis separavam as crianças menores de 12 anos dos pais e, quando juntavam um grupo significativo, enviavam-nas para a escola da Van Hulst.

Tente imaginar 80, 90, talvez 70 ou 100 crianças lá. E você tinha de decidir que crianças levava consigo... eram os dias mais difíceis da minha vida”, recordou Johan van Hulst num depoimento registado pelo Centro da Memória do Holocausto, agora recordado pela CNN.

Você percebe que não pode levá-las a todas consigo e sabe que as crianças que deixa para trás vão morrer. Uma vez, levei 12 comigo. Depois pensei pcom os meus botões: ‘porque não levar 13´?”

Então Van Hulst criou um sistema engenhoso para salvar o maior número de crianças que conseguiu, escondendo-os por todoa a cidade de Amesterdão. Falsificava os documentos onde eram registadas as crianças que eram enviadas para a escola que dirigia. Se, por exemplo, 30 lhe eram enviadas, ele declarava apenas 25 e enviava os resgatados para fora da instituição, muitas vezes escondidos em sacos ou cestos de roupa suja.

Usando este esquema, Hulst terá salvo mais de 600 crianças, ate se ver forçado a esconder-se ele mesmo dos nazis, depois de ter sido denunciado por um colaborador seu.

Após o fim da II Grande Guerra, integrou o Senado holandês pelo Partido Democrata Cristão, cargo que ocupou entre 1956 e 1981. Em 1972 foi agraciado pelo Governo israelita com uma distinção para os não judeus que ajudaram judeus no período do Holocausto.

Apesar de ter salvo mais de 600 crianças, sempre disse que sentia que não tinha feito o suficiente: “Na verdade, eu só penso naquilo que não consegui fazer”.