O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou na noite de terça-feira, durante o Congresso Mundial Sionista, que Adolf Hitler não queria exterminar os judeus e que a ideia partiu do “mufti” de Jerusalém, líder religioso muçulmano de então.
 
Haj Amin al-Husseini é, segundo o chefe do governo israelita, o grande responsável pelo extermínio de seis milhões de judeus durante o Holocausto, depois de ter visitado Hitler em Berlim em 1941.
 
Um encontro que Netanyahu disse ter sido decisivo.
 
“Hitler não queria exterminar os judeus naquela altura, queria expulsar os judeus”, disse o primeiro-ministro israelita durante o seu discurso, citado pela agência Reuters, contando, de seguida, o que supostamente teria acontecido.

“Haj Amin al-Husseini foi ter com Hitler e disse-lhe: ‘se os expulsar da Alemanha, eles virão todos para cá’”, prosseguiu.

“Então o que faço com eles?”, terá questionado Hitler. “Queima-os”, respondeu Husseini.
 
Palavras e referências históricas que não caíram bem junto de palestinianos, mas também de israelitas.

“É um dia triste para a história que o líder do governo israelita odeie tanto o seu vizinho que esteja disposto a absolver o maior criminoso de guerra de sempre, Adolf Hitler, pelo assassínio de seis milhões de judeus durante o Holocausto. Netanyahu devia parar de usar esta tragédia humana para somar pontos com fins políticos”, criticou Saeb Erekat, secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina e mandatário palestiniano nas negociações de paz com Israel.

Do lado israelita, foi o próprio ministro da Defesa de Netanyahu quem surgiu na linha da frente das condenações ao chefe do Governo.

“Não foi certamente Husseini quem inventou a ‘Solução Final’. Foi apenas uma ideia diabólica do próprio Hitler”, disse Moshe Yaalon à Rádio das Forças Armadas.

Os historiadores dizem que Netanyahu distorceu os factos, uma vez que o encontro entre Husseini e Hitler em Berlim realizou-se a 28 de novembro de 1941, quatro meses depois de o extermínio de judeus ter começado. E que, além disso, em janeiro de 1939 o líder nazi tinha já manifestado no Reichstag (parlamento) a sua intenção de exterminar os judeus.

“Dizer que ‘mufti’ foi quem deu a ideia a Hitler de matar ou queimar judeus é incorreto. A ideia de livrar o mundo dos judeus era algo que Hitler há muito defendia, muito antes de conhecer o 'mufti'”, defendeu Dina Porat, professora na universidade de Telavive e historiadora-chefe do Museu do Holocausto, em Israel, lamentando, ainda, que o filho de um proeminente historiador de Israel, como é o caso do primeiro-ministro, pudesse afirmar tamanha distorção dos factos.