As eleições locais no leste da Ucrânia vão ser organizadas após 2015, declarou esta sexta-feira o Presidente francês, François Hollande, após uma cimeira quadripartida em Paris, numa rejeição do escrutínio anunciado para outubro pelos rebeldes pró-russos.

As eleições locais vão decorrer “para além do calendário de 2015” para permitir um “escrutínio incontestável”, indicou durante uma conferência de imprensa conjunta com a chanceler alemã Angela Merkel, que sublinhou que este escrutínio deverá decorrer “de acordo com o direito ucraniano”.

Numa referência ao acordo firmado durante a semana entre as partes em conflito, Hollande anunciou após este encontro, onde também participaram os Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Petro Poroshenko, que será iniciada “a partir de amanhã” (sábado), a retirada das armas ligeiras da linha da frente.

No âmbito do acordo Minsk II assinado em fevereiro, o leste da Ucrânia deveria organizar eleições locais no final de 2015 e devolver ao governo de Kiev o controlo da fronteira com a Rússia.

Na quarta-feira, representantes de Kiev e dos combatentes separatistas russos assinaram um acordo decisivo sobre a retirada do seu arsenal de armas ligeiras da “linha de separação” que divide os territórios controlados pelos rebeldes no leste do restante território ucraniano.

No entanto, os líderes rebeldes tinham mantido a convocatória de eleições locais nas “repúblicas separatistas” de Donetsk e Lugansk para 18 de outubro.

Observadores internacionais têm referido que o compromisso de fevereiro sobre a retirada das armas pesadas da linha de 500 quilómetros que separa as duas forças foi sucessivamente violado, provocando mais de 1.000 mortos.

No entanto, o respeito pela nova trégua pode sugerir que os combates que provocaram mais de 8.000 mortos desde a primavera de 2014 podem estar a aproximar-se do fim.